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Supremo manda PF abrir inquérito sobre vazamento de "supostos diálogos" com Moraes; ministro nega troca de mensagens

6 mar 2026 - 12h13
(atualizado às 19h37)
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O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira que a ‌Polícia Federal abra um inquérito para apurar a origem do vazamento de informações sigilosas de telefones celulares apreendidos no curso da investigação sobre o Banco Master após pedido apresentado mais cedo pela defesa do banqueiro Daniel Vorcaro.

"À luz dessas premissas, acolho o requerimento formulado pela defesa do investigado Daniel Bueno Vorcaro, e determino a instauração do competente inquérito policial, para a averiguação dos alegados vazamentos noticiados", disse ele, em despacho de sete páginas.

Mendonça ressalvou que a investigação deverá ter como "hipótese investigativa a eventual identificação daqueles que teriam ⁠o dever de custodiar o material sigiloso e o violaram, e não daqueles que, no legítimo exercício da fundamental profissão jornalística, obtiveram ‌o acesso indireto às informações que, pela sua natureza íntima, não deveriam ter sido publicizadas".

No despacho, o ministro do Supremo disse que a CPI Mista do INSS teve acesso a informações do sigilo de Vorcaro, bem como as autoridades policiais que fizeram o ‌compartilhamento com a comissão.

Mais cedo, a defesa de Vorcaro havia pedido a abertura ‌da investigação, chegando a citar o que chamou de "supostos diálogos" com o ministro da corte Alexandre de Moraes.

Em nota divulgada ⁠no início da noite pela Secretaria de Comunicação do STF, Moraes negou de forma enfática que tenha sido o destinatário das referidas mensagens.

"Análise técnica realizada nos dados telemáticos de Daniel Vorcaro, tornados públicos pela CPMI do INSS, constatou que as mensagens de visualização única enviadas por ele no dia 17 de novembro de 2025 não conferem com os contatos do ministro Alexandre de Moraes nos arquivos apreendidos", diz a nota.

"A mensagem e o respectivo contato estão na mesma pasta do computador de quem fez os prints (Vorcaro). Ou seja, ‌fica demonstrado que as mensagens (prints) estão vinculadas a outros contatos telefônicos no computador de Daniel Vorcaro, jamais ao ministro Alexandre de Moraes", acrescentou ‌o comunicado, que não precisou quem fez ⁠esta análise técnica.

A manifestação da defesa ⁠de Vorcaro havia sido divulgada após uma reportagem do jornal O Globo apontar que o dono do Banco Master teria tido uma intensa troca ⁠de mensagens com Moraes durante todo o dia da primeira prisão do banqueiro ‌pela Polícia Federal, em 17 de novembro ‌de 2025.

Vorcaro foi mais uma vez preso preventivamente nesta semana, em nova fase da operação Compliance Zero, que investiga crimes como gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Nesta sexta-feira, ele foi transferido para uma penitenciária federal em Brasília, após autorização de Mendonça. Vorcaro estava preso na Penitenciária 2 de Potim, no interior de ⁠São Paulo.

MENSAGENS

Segundo a reportagem de O Globo, tanto Vorcaro quanto Moraes usariam mensagens de visualização única do aplicativo WhatsApp, mas o banqueiro deixava os textos salvos no bloco de notas do celular. Não há na troca de mensagens citada na reportagem qualquer mensagem de Moraes, exceto um emoji com o polegar levantado para cima em sinal de aprovação a uma das mensagens do banqueiro.

Em nota quando da divulgação também por O Globo de uma primeira reportagem sobre os supostos ‌diálogos com Vorcaro, Moraes já havia dito que não tinha recebido essas mensagens. "Trata-se de ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o Supremo Tribunal Federal", disse.

A defesa de Vorcaro, também em nota distribuída à imprensa, disse que "diversas mensagens supostamente extraídas" de celulares ⁠dele passaram a ser divulgadas por veículos de imprensa nos últimos dias, mesmo sem que a própria defesa tenha tido acesso ao conteúdo do material.

"Conversas íntimas, pessoais e que expõem terceiros não envolvidos com os fatos, além de supostos diálogos com autoridades e até o ministro do STF Alexandre de Moraes talvez editadas e tiradas de contexto, têm sido divulgadas para os mais diversos órgãos de comunicação", afirmou.

Segundo a manifestação, diante da gravidade da situação, a defesa pediu a abertura do inquérito para "identificar a origem dos vazamentos e que a autoridade policial apresente a relação de todas as pessoas que tiveram acesso ao conteúdo dos aparelhos apreendidos".

"A defesa ressalta que o objetivo do pedido não é investigar jornalistas ou terceiros que eventualmente tenham recebido informações, mas apurar quem, tendo o dever legal de custodiar o material sigiloso, pode ter violado esse dever", afirmou.

"Espera-se que as autoridades que violaram seu dever funcional de resguardar o sigilo sejam identificadas e responsabilizadas por atos que expõem pessoas sem relação com a investigação, bem como atrapalham os trabalhos de esclarecimento dos fatos", destacou.

No ano passado, reportagem também do jornal O Globo revelou que o Banco Master havia contratado o escritório de advocacia Barci de Moraes, da esposa e dos filhos do ministro do STF.

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