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STF bloqueia bens de Valdemar Costa Neto por suspeita de direcionamento irregular de R$119 mi em emendas

10 jul 2026 - 12h45
(atualizado às 15h08)
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A Polícia Federal identificou indícios ‌de que o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, teria exercido influência irregular sobre a destinação de pelo menos R$119,2 milhões em emendas parlamentares, mesmo sem exercer mandato eletivo, segundo decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino divulgada nesta ⁠sexta-feira.

Na decisão, Dino determinou o bloqueio de bens de Valdemar até ‌o valor de R$119,2 milhões e ordenou a suspensão da execução de despesas relacionadas às emendas citadas pela PF, ‌que apura possíveis crimes de peculato-desvio e ‌associação criminosa.

De acordo com a investigação, derivada da chamada ⁠Operação Transparência, deflagrada em dezembro de 2025, mensagens e planilhas encontradas no celular de uma servidora da Câmara dos Deputados indicariam a existência de um esquema informal para direcionar emendas parlamentares conforme interesses atribuídos a Valdemar. A PF afirma que os recursos ‌eram formalmente registrados em nome de deputados, apesar de as indicações ‌terem origem em ⁠solicitações associadas ao ⁠dirigente partidário.

Segundo a polícia, ao menos 21 emendas teriam sido empenhadas ou ⁠pagas após serem encaminhadas com ‌informações consideradas falsas sobre ‌seus reais solicitantes. A PF sustenta que a prática teria servido para "escamotear" o papel de Valdemar na definição dos destinos das verbas.

Dino afirmou em sua decisão que há "múltiplos indícios" ⁠de que Valdemar, "sem exercer mandato parlamentar", teria atuado recentemente como "mandante do (re)direcionamento de valores públicos". 

O magistrado rejeitou, por enquanto, pedidos de busca e apreensão e de quebra de sigilos formulados pela PF, mas concordou com o ‌bloqueio patrimonial e com a suspensão da execução das emendas apontadas pelos investigadores. 

A defesa de Valdemar disse em nota estar surpresa ⁠com a decisão do ministro do STF, classificando-a como baseada em "premissas frágeis, inferências subjetivas" e em indevida criminalização da atividade político-partidária.

Os advogados Marcelo Luiz Ávila de Bessa e Thiago Lôbo Fleury afirmaram não haver provas de que Costa Neto tenha aderido conscientemente a esquema criminoso e destacaram que a Procuradoria-Geral da República era contrária às medidas.

A defesa criticou ainda a determinação de indisponibilidade sobre todo o patrimônio do investigado e reafirmou a inocência de Valdemar, informando que recorrerá judicialmente para reverter a decisão.

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