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Sobe para 28 número de mortos em operação no Jacarezinho

A Defensoria Pública e o Ministério Público do Rio de Janeiro abriram uma investigação sobre a atuação da polícia na ação no Jacarezinho.

7 mai 2021 20h35
| atualizado às 20h41
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A Polícia Civil do Rio de Janeiro confirmou nesta sexta-feira mais três mortes em decorrência da operação deflagrada na favela do Jacarezinho, na zona norte da capital fluminense, na véspera, elevando para 28 o total de óbitos na ação mais letal já deflagrada pelas forças de segurança na cidade.

Os corpos das três vítimas foram retirados da comunidade nesta sexta e, segundo a polícia, também seriam de homens com ligação com o crime organizado na favela, assim como outras 24 vítimas fatais da operação. Um policial também morreu durante a operação.

"A inteligência confirmou todos os mortos como traficantes. Eles atiravam para guardar posição, para matar. Tinham ordem para confrontar", afirmou o chefe da Polícia Civil, Alan Turnowski, a jornalistas.

Familiares de vítimas seguram velas em protesto contra violência policial no Jacarezinho
07/05/2021
REUTERS/Ricardo Moraes
Familiares de vítimas seguram velas em protesto contra violência policial no Jacarezinho 07/05/2021 REUTERS/Ricardo Moraes
Foto: Reuters

Moradores protestaram na comunidade nesta sexta-feira e rejeitaram a versão da polícia de que todos os mortos eram envolvidos com o crime.

"Houve gente que já estava rendida, pediu para se entregar e foi morta... teve policial que matou na rua, na frente de crianças e idosos", disse uma moradora, que não quis se identificar.

A Defensoria Pública e o Ministério Público do Rio de Janeiro abriram uma investigação sobre a atuação da polícia na ação no Jacarezinho.

"Operações de enfrentamento ao crime organizado são necessárias, mas devem ser feitas com inteligência e planejamento. Salientamos que o norte permanente da atuação das forças de segurança deve ser a preservação de vidas, inclusive a dos próprios policiais", afirmou o MP em nota.

O procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu nesta sexta-feira esclarecimentos ao governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PSC), e a outras autoridades estaduais sobre as circunstâncias da operação.

Em ofícios, Aras determinou que as autoridades prestem informações em cinco dias úteis a respeito da ação policial e alertou para o fato de que pode haver responsabilização se ficar comprovado que houve descumprimento de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que limita a realização de incursões policiais em comunidades do RJ enquanto durar a situação de calamidade pública decorrente da pandemia da covid-19.

Em pronunciamento, o governador afirmou que conversou com Aras e com o ministro Edson Fachin, do STF, e determinou total transparência ao processo de apuração das circunstâncias da operação, mas ressaltou que "a reação dos bandidos foi a mais brutal já registrada em todos os tempos, com armas de guerra para repelir a ação do Estado".

"Em nenhum lugar do mundo a polícia é recebida com fuzis e granadas quando vai cumprir seu papel", afirmou. "Tenham certeza que o governo do Estado é o maior interessado em apurar as circunstâncias dos fatos", acrescentou.

 

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