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Senador Ciro Nogueira é alvo de busca da PF no caso Master; primo de Vorcaro é preso

7 mai 2026 - 07h41
(atualizado às 10h51)
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A Polícia Federal cumpriu nesta quinta-feira mandados de busca e ‌apreensão contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil do governo Bolsonaro, em uma nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga irregularidades envolvendo o Banco Master, com as investigações apontando que o parlamentar recebia propina de ao menos R$ 300 mil por mês.

Segundo as investigações, Nogueira recebeu vantagens indevidas para defender interesses do dono do Master, Daniel Vorcaro, e inclusive apresentou uma emenda no Senado que aumentaria para R$1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de ⁠Crédito (FGC) de forma a ajudar a instituição financeira. A proposta, conhecida como "emenda Master" não foi aprovada.

A revelação sobre os laços ‌entre Nogueira e Vorcaro, a partir de investigações da PF, consta da decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a nova fase da Operação Compliance Zero.

De acordo com decisão, Nogueira "é indicado como destinatário central ‌das vantagens indevidas e como agente público que, em tese, instrumentalizou o ‌exercício do mandato parlamentar em favor dos interesses privados de Daniel Bueno Vorcaro". 

Nogueira teve sua residência no Lago ⁠Sul, bairro nobre em Brasília, e endereços no Piauí, seu domicílio eleitoral, alvos das operações. Não houve busca em gabinetes parlamentares dele.

A operação da PF também prendeu Felipe Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, que, segundo documento do STF, "é apontado como integrante do núcleo financeiro-operacional da organização criminosa". Daniel Vorcaro está preso desde março.

Em nota, a defesa de Nogueira rechaçou qualquer "ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar". O senador reiterou que quer contribuir com a ‌Justiça para "esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos", acrescentou.

Não ‌foi possível contactar a defesa de Felipe ⁠Vorcaro.

Segundo a PF, policiais federais ⁠cumprem dez mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária, expedidos pelo STF, nos Estados do Piauí, de ⁠São Paulo, de Minas Gerais e no Distrito Federal.

A decisão judicial autorizou, ‌ainda, o bloqueio de bens, de ‌direitos e de valores no valor de R$18,85 milhões, de acordo com nota da PF.

NÚCLEO POLÍTICO

Essa é a primeira operação do caso Master que atinge um alto integrante do núcleo político, e indica a disposição de Mendonça de que ele não vai escolher lado nessa investigação, segundo uma fonte do Supremo que acompanha diretamente ⁠o caso.

Indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, Mendonça comandou a Advocacia-Geral da União e o Ministério da Justiça no governo passado e chegou a ser ministro ao mesmo tempo em que Nogueira comandava a Casa Civil.

Nas investigações, conforme a decisão, a PF descobriu que o texto da emenda que elevaria de R$250 mil para R$1 milhão a cobertura do FGC foi entregue por uma pessoa ligada a ‌Vorcaro ao gabinete de Nogueira e foi integralmente reproduzido.

O banqueiro monitorou a iniciativa parlamentar e chegou a dizer a pessoas próximas que, se fosse aprovada, provocaria uma "hecatombe" no mercado, segundo a decisão. A emenda, contudo, não passou no ⁠Congresso.

A estratégia de crescimento do Master se baseava justamente em oferecer produtos garantidos pelo FGC com rendimentos acima do mercado. O Master foi liquidado pelo Banco Central no ano passado por crise de liquidez e graves violações de normas do sistema financeiro.

Na terça-feira, a defesa de Vorcaro entregou à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República os anexos de uma proposta de delação premiada, em um avanço das tratativas do dono do Banco Master para tentar escapar da prisão a partir da confissão de crimes, segundo duas fontes com conhecimento direto das negociações.

Mendonça já indicou à defesa de Vorcaro que não vai homologar uma delação premiada que seja seletiva ou que não acrescente efetivamente às investigações, disse uma fonte do STF. Ele quer que a colaboração, se vingar, traga fatos novos, feche pontas abertas nas apurações e também preveja um robusto ressarcimento de recursos.

A avaliação no STF é que a PF já tem muitos elementos de prova colhidos nas operações envolvendo o Master.

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