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Ato pró-Moro conturba fala de Greenwald e Duviver na Flip

13 jul 2019
07h25
atualizado às 09h37
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Foto: Alberto Veiga / Futura Press

Na noite de sexta-feira (12/07), dezenas de pessoas com bandeiras verdes e amarelas, rojões e equipamento de som, em volume muito alto, tentaram impedir o jornalista Glenn Greenwald de falar ao público que lotou o cais de Paraty num evento paralelo à Festa Literária Internacional de Paraty (Flip).

O protesto realizado por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro e do ministro da Justiça, Sérgio Moro, contra o jornalista americano marcou o terceiro dia da Flip.

Greenwald é o editor do site Intercept, responsável pelas revelações de diálogos sobre a suposta atuação ilegal do ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sérgio Moro.

O jornalista americano participou de um debate organizado por editoras independentes sobre jornalismo investigativo, junto ao comediante e apresentador Gregório Duviver e ao jornalista Sérgio Amadeu.

Durante a intervenção, Greenwald reafirmou a veracidade dos diálogos que estão sendo publicados pelo Intercept e alguns meios de comunicação brasileiros, como o jornal Folha de S. Paulo, revista Veja e TV Bandeirantes e que colocaram em questão a imparcialidade da Operação Lava Jato.

"A máscara do Moro caiu para sempre [...] Estamos muito mais perto do começo do que do fim. Temos muito mais para revelar", frisou, referindo-se às supostas conversas ilegais mantidas alegadamente pelo ex-juiz Sérgio Moro com os procuradores da Lava Jato.

Enquanto o jornalista americano falava num barco no porto de Paraty, as pessoas que se opunham à sua presença na cidade usaram caixas de som para elevar o volume dos fogos de artifício e do Hino Nacional. Durante toda a fala, Glenn enfrentou dificuldades para ser ouvido pelo público que lotava o cais.

Programada para as 19h, a palestra de Greenwald não pôde se iniciar antes das 19h30 devido ao barulho dos manifestantes, que pararam após uma intervenção policial, mas logo voltaram com som alto e fogos de artifício.

O som chegava até a tenda principal da Flip, onde a última mesa do dia reuniu o escritor indígena Ailton Krenak e o dramaturgo José Celso Martinez Corrêa, do Teatro Oficina.

Krenak aludiu ao protesto contra a participação do jornalista Glenn Greenwald na programação paralela da Flip: "Eu ouvi os fogos e pensei: é muita sorte poder falar de Canudos com essa cenografia toda." Em sua palestra, ele afirmou ainda que no Brasil muitas pessoas estão "vivendo uma experiência de resistir" a pessoas que apelam para a "força bruta".

Segundo o jornal Globo, às 20h45, quando foram permitidas perguntas da plateia, uma moradora de Paraty disse emocionada: "Eles não representam a cidade". A palestra encerrou-se por volta das 21h20.

Maior encontro literário do Brasil, a Flip acontece até este domingo, na cidade de Paraty, no litoral do Rio de Janeiro.

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