Youssef pagou Argôlo e outros deputados, diz contadora
A contadora Meire Poza afirmou nesta quarta-feira ao Conselho de Ética da Câmara que o doleiro Alberto Youssef, para quem prestava serviços, fez pagamentos a outros deputados além de Luiz Argôlo (SD-BA). Sem citar nomes, ela disse que o doleiro “era um banco” e confirmou que ele dava dinheiro para terceiros, entre eles o parlamentar baiano.
Testemunha chave da Operação Lava Jato, que levou Youssef à prisão, Meire prestou depoimento ao Conselho de Ética como testemunha no processo de Luiz Argôlo. O deputado responde a um processo por quebra de decoro parlamentar, acusado de ter acertado com o doleiro Alberto Youssef a transferência de R$ 120 mil para o chefe de gabinete do parlamentar, Vanilton Bezerra. O congressista também teria recebido de Youssef dois caminhões de gado, avaliados em R$ 100 mil.
“O Alberto era um banco. Eu não teria relações de pessoas para quem ele emprestava (dinheiro). Ele pagava contas, ele dava dinheiro, dava presentes, emprestava”, disse a contadora. Questionada se ele transferiu dinheiro a outros deputados, Meire confirmou: “houve pagamento a outros parlamentares”.
Meire Poza já havia afirmado à Polícia Federal que Youssef era sócio de Argôlo na empreiteira Malga Engenharia, conforme revelou a Folha de S.Paulo na segunda-feira. A empresa é dona de máquinas e chegou a ser subcontratada pela Delta para a duplicação de uma estrada no Paraná. Em 2012, a Delta foi proibida de fechar contratos com a administração pública federal depois de ser envolvida nas investigações da CPI do Cachoeira.
“Bebê Johnson”
Meire confirmou a proximidade da relação entre Youssef e o deputado Luiz Argôlo, que trocaram várias mensagens interceptadas pela Polícia Federal. O deputado de 34 anos era chamado pelo doleiro como “bebê Johnson”. “Era uma relação carinhosa, era tratado como bebê Johnson, por ele ser novinho”, disse.
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