Script = https://s1.trrsf.com/update-1765905308/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Política

Votações de Lira e Rossi mostram fidelidade a Bolsonaro

Levantamento do Estadão indica posicionamento de candidatos à presidência da Câmara nos principais projetos debatidos

5 jan 2021 - 10h47
(atualizado às 11h00)
Compartilhar
Exibir comentários

Na corrida pelo comando da Câmara dos Deputados, que marca também um novo teste de força para o presidente Jair Bolsonaro, Arthur Lira (PP-AL) e Baleia Rossi (MDB-SP) têm procurado atrair a atenção dos colegas e se diferenciar um do outro a partir da defesa de temas como a independência do Congresso e a agenda de reformas, mas o histórico de votações de ambos mostra que eles têm muito mais em comum do que sugerem suas campanhas.

Presidente Jair Bolsonaro caminha com ministros ao Congresso para entregar medidas econômicas
05/11/2019
REUTERS/Ueslei Marcelino
Presidente Jair Bolsonaro caminha com ministros ao Congresso para entregar medidas econômicas 05/11/2019 REUTERS/Ueslei Marcelino
Foto: Reuters

Lira é o candidato apoiado por Bolsonaro, enquanto Baleia representa o grupo de Rodrigo Maia (DEM-RJ). Na ponta do lápis, porém, curiosamente, Baleia se mostrou mais fiel às votações de interesse do governo do que o rival.

Ao longo dos últimos dois anos, ambos votaram a favor de uma série de projetos de maior destaque, como a reforma da Previdência e a medida provisória da liberdade econômica. Segundo estudo da consultoria de análise política Arko Advice, Baleia teve um índice de apoio de 90,24% ao governo em 2019 e Lira, de 86,29%. Em 2020, os percentuais foram de 77,82% e 70,59%, respectivamente.

"Não vejo grande diferença entre os dois na pauta econômica e regulatória", diz Cristiano Noronha, vice-presidente da consultoria. "Se você olhar as matérias mais relevantes, os dois votaram de modo muito parecido."

A disposição dos candidatos em pautar grandes reformas constitucionais e temas que eventualmente desagradem ao governo é alvo de questionamentos. O cargo de presidente da Câmara é considerado fundamental, já que o titular da cadeira decide o que será votado em plenário, pode barrar os projetos de interesse do governo e também iniciar processos de impeachment contra o presidente da República.

Lira já se encontrou com Paulo Guedes algumas vezes e deu uma guinada no discurso em defesa das reformas. Mas, no mercado, ainda há certo receio sobre seu real compromisso com a pauta econômica. Já Baleia, autor da PEC 45, que prevê a reforma tributária, aposta no apoio da oposição, que é totalmente contrária à agenda liberal.

Para Adriano Laureno, economista sênior da Prospectiva Consultoria, nenhum dos dois candidatos seria "um novo Maia na pauta econômica". Laureno avalia que ambos serão menos fiéis à agenda liberal do que o atual presidente da Casa e mais propensos à concessão de benefícios setoriais. "A grande diferença entre eles é na reforma tributária", afirma ele, alegando que o tema seria prioridade para Baleia.

Outro tema central na disputa é a independência da Câmara, uma tônica da gestão Rodrigo Maia; durante a articulação para escolher quem seria seu candidato à sucessão, ele chegou a afirmar que a "preferência" seria por alguém que segure a "pata" do governo na Casa. Nesse cenário, Baleia busca se posicionar como o candidato que teria mais autonomia.

Lira, porém, questiona este ponto e argumenta que o partido do rival, o MDB, possui diversos cargos no governo. "Nós dois somos base. Ser oposição na hora de fazer manifesto é uma coisa, na prática, é outra", disse Lira ao Estadão. "Perdemos muito nos últimos dois anos com falta de previsibilidade e a falta de cumprimento dos acordos." Procurado por meio de sua assessoria, Baleia Rossi não se manifestou.

Para os analistas, o apoio do Planalto a Lira indica que o candidato pode ter mais chances de colocar na agenda legislativa a chamada pauta de costumes. O tema, porém, também é incerto. Nesta legislatura, a pauta ficou emperrada na Câmara, de modo que os parlamentares tiveram pouca chance de se posicionar sobre projetos como Escola Sem Partido, criminalização da "ideologia de gênero" e a flexibilização da educação domiciliar.

Estadão
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade