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Temer: ‘Lula delicadamente disse que talvez eu me saia bem’

Vice-presidente, que acaba de assumir o comando da articulação política do governo, diz que tem autonomia para negociar com o Congresso e que Lula apoia sua nomeação

9 abr 2015
18h30
atualizado às 19h55
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Dois dias depois de assumir a articulação política do governo, o vice-presidente da República Michel Temer (PMDB) afirmou que tem o apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que o petista disse que “talvez” ele tenha êxito na sua nova função.

“Delicadamente, ele disse que talvez eu me saia bem. Vamos ver”, disse Temer após uma reunião com o ex-presidente na sede do Instituto Lula, em São Paulo. De acordo com o peemedebista, o assunto central do encontro foi reforma política.

O ex-presidente Lula e o vice-presidente Michel Temer, que acaba de assumir a articulação política do governo
O ex-presidente Lula e o vice-presidente Michel Temer, que acaba de assumir a articulação política do governo
Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula / Divulgação

Temer é presidente do PMDB, mas avalia deixar o cargo para evitar o acúmulo de funções. Ele foi indicado para o comando da articulação política após a saída de Pepe Vargas da Secretaria de Relações Institucionais, que acabou sendo extinta. Agora, caberá ao vice-presidente aproximar o governo da base aliada no Congresso Nacional. Os presidentes da Câmara e do Senado, os também peemedebistas Eduardo Cunha e Renan Calheiros, respectivamente, têm imposto diversas derrotas do governo no Congresso.

“Eles (Cunha e Renan) são meus companheiros e nós temos estabelecido muito bem essa conceituação institucional. Evidentemente que o Executivo não governa sozinho. Para bem governar o Executivo, você precisa ter o apoio político e legislativo do Congresso Nacional. E para isso tem o diálogo”, disse Temer. "O Congresso Nacional tem competências e exerce com muita sobranceria essas suas competências. É elogiável até a atitude do Congresso Nacional", continuou.

Negando que exista qualquer “ingovernabilidade”, Temer disse que está desempenhando a nova função "com muito prazer". "Você veja, eu sou o vice-presidente da República. Quando a presidente me pediu, ela disse: somos parceiros. Você vai me ajudar a governar. E é isso que eu estou fazendo."

A exemplo do que já afirmou a presidente Dilma Rousseff (PT), Temer disse que tem autonomia para negociar com o Congresso Nacional, mas salientou que tudo é feito "combinadamente com a presidenta". "O fato de ter sido três vezes presidente da Câmara, 24 anos no parlamento, ajuda nesse diálogo. Além do diálogo institucional com governadores e prefeitos. Então ela resolveu passar essas tarefas para a vice-presidência, e eu tenho tentado cumpri-las com muita tranquilidade."

Sobre a reforma política, Temer disse que encontrou em Lula "um entusiasmado". O vice-presidente afirmou que está marcando reuniões com diversas lideranças para falar sobre o tema, entre elas o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o senador Aécio Neves, ambos do PSDB. "É fundamental fazer uma reforma. Qual será ela, o Congresso é que vai decidir", declarou Temer.

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Fonte: Terra
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