Servidor do Senado ganha R$ 8,5 mil para servir cafezinho
Garçons foram nomeados em 2001 e, em 12 anos, acabaram promovidos e recebem até 20 vezes mais do que o piso da categoria em Brasília
Com uma equipe de garçons com salários até 20 vezes maiores do que o piso da categoria em Brasília, o Senado tem servidores que ganham R$ 8,5 mil para servir cafezinho. Segundo reportagem do jornal O Globo, publicada nesta quarta-feira, sete garçons recebem remuneração entre R$ 7,3 mil e R$ 14,6 mil (com horas extras) - três deles atuam apenas no plenário, e quatro ficam no cafezinho aos fundos, onde circulam parlamentares, assessores e jornalistas. Eles têm cargos comissionados na Secretaria Geral da Mesa com título de assistente parlamentar.
A assessoria do Senado afirmou ao Terra que "os níveis ocupados são de AP 04 e AP 02, com remuneração de R$ 6.726,15 e R$ 8.577,00, respectivamente". "Os servidores ocupam cargo de assistente parlamentar e realizam atividades de apoio, conforme previsto pelo artigo 52 do Regulamento Administrativo do Senado Federal, e estão em exercício na Secretaria-Geral da Mesa, Presidência, 1ª Secretaria e Residência Oficial", disse a Casa, por meio de uma nota.
Eles foram nomeados em 2001 e, em 12 anos, acabaram promovidos a cargos comissionados superiores: saíram do AP-5, com remuneração básica de R$ 3,3 mil, para o AP-4 e até mesmo o AP-2, com vencimentos básicos de R$ 6,7 mil e R$ 8,5 mil, respectivamente. Segundo O Globo, em março, o maior salário pago foi a José Antonio Paiva Torres, o Zezinho, que serve exclusivamente os senadores no plenário. Ele recebeu R$ 5,2 mil somente em horas extras e teve remuneração bruta de R$ 14,6 mil.
O jornal afirmou ainda que dois garçons também têm a obrigação de cuidar do cafezinho dos senadores no plenário. Um deles é Jonson Alves Moreira, que na última sexta-feira foi dublê de senador, num plenário vazio, a pedido de João Costa (PPL-TO), o único orador que fazia uso da palavra naquele momento. Enquanto o senador falava, Jonson concordava com a cabeça.
O Globo diz que a nomeação dos cargos ocorreu em um ato secreto em setembro de 2001, dois dias depois da renúncia do senador Jader Barbalho (PMDB-PA) ao mandato e à presidência da Casa. Todos eles seriam amigos. O Senado rebateu, dizendo que "cumpre ressaltar, inicialmente, que não existem atos secretos no Senado Federal. Todos os atos estão devidamente publicados".
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