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Política

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Senador Cleitinho Azevedo chora ao anunciar que não será candidato a governador de Minas; veja vídeo

Senador disse que não tem condições emocionais de disputar uma eleição após a morte do irmão mais novo, que lutava contra uma leucemia

3 ago 2026 - 16h04
(atualizado às 17h30)
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O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) anunciou nesta segunda-feira, 3, que desistiu de se candidatar a governador de Minas Gerais. A decisão foi tomada após uma reunião com o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, em Brasília. O senador chegou a chorar ao anunciar a decisão (veja no vídeo acima).

"Vou me dirigir ao povo mineiro, pedir perdão, porque o momento não está fácil para mim e para minha família. Não adianta eu entrar numa campanha agora do jeito que eu estou. Não adianta eu querer cuidar de vocês se não estou cuidando de mim", disse Cleitinho, em um vídeo publicado pelo Republicanos nas redes sociais.

Matheus Azevedo, o irmão mais novo do senador, morreu em 18 de julho deste ano. Ele estava em tratamento contra leucemia.

Na gravação, o senador afirma que tinha o respaldo do partido para se candidatar, e que Marcos Pereira esperou "o tempo que precisava esperar" para definir se ele seria candidato. "Mas meu momento hoje, não estou bem, eu preciso me recuperar", declarou.

Com a desistência, a bola da vez na direita mineira passa a ser o ex-secretário da Casa Civil do governo Romeu Zema (Novo), Marcelo Aro (PP). Antes candidato ao Senado na chapa do atual governador, Mateus Simões (PSD), Aro rompeu com o grupo de Zema para articular a própria candidatura ao Executivo.

Senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos
Senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos
Foto: Ton Molina/Agência Senado / Estadão

Aro trabalha para conseguir o apoio do PL e do próprio Republicanos e se tornar o palanque do senador Flávio Bolsonaro (PL) no Estado.

Dirigentes do PL em Minas viam Cleitinho como a melhor opção para Flávio, mas afirmam que Aro, embora largue com menos votos do que o senador, pode contribuir por ter um grupo político com mais capilaridade e estrutura no Estado. A dúvida, contudo, é o quanto Aro trabalhará a dobradinha com o senador em sua eventual campanha.

O ex-secretário de Zema foi integrante da "tropa de choque" de Eduardo Cunha (Republicanos) durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff entre 2015 e 2016.

Desde então, acumulou poder em Minas Gerais, formando uma bancada de deputados, prefeitos e vereadores leais a ele. Ele também se dedicou à defesa das pessoas com doenças raras. Uma das filhas de Aro foi diagnosticada com Síndrome de Cornélia de Lange.

Presidente do PL em Minas Gerais, o deputado federal Zé Vitor disse que irá se reunir na terça-feira com Valdemar Costa Neto, que comanda a sigla a nível nacional. "Vamos nos reunir e ainda não tem nenhuma decisão tomada [sobre o que o PL irá fazer]. Não temos plano de gaveta", disse ele.

No vídeo divulgado pelo Republicanos, Marcos Pereira expressou solidariedade ao momento vivido pela família do senador e disse que a desistência foi uma "decisão espontânea" de Cleitinho.

"O Cleitinho não compareceu à convenção [que lhe confirmaria como candidato]. Eu pedi que ele fosse a São Paulo gravar comigo dizendo que era candidato. Demos oportunidade até terça-feira à noite. Não foi possível o comparecimento, muito por conta desse momento de luto e de dor que ele está passando", disse o presidente do Republicanos.

Cleitinho liderava as pesquisas de intenção de votos ao Palácio Tiradentes, mas adiou repetidas vezes a decisão de disputar o cargo. Diante da indefinição, o Republicanos divulgou um comunicado na última quarta-feira, 29, vetando a candidatura do senador e afirmando que o "partido esteve pronto", mas que a candidatura "nunca foi formalmente assumida por quem deveria liderá-la".

Também na quarta-feira, Cleitinho convocou uma coletiva de imprensa em Divinópolis (MG), sua cidade natal, na qual afirmou que queria ser candidato e que tentaria convencer Marcos Pereira a mudar de ideia.

No dia seguinte, o senador e o ex-prefeito de Patos de Minas (MG), Luís Eduardo Falcão (Republicanos), se reuniram por mais de cinco horas com Pereira em São José dos Campos (SP).

A novela persistiu e no final de semana Pereira disse ao Estadão que poderia permitir a candidatura de Cleitinho diante da ameaça de desistência de candidatos a deputado federal e estadual, que queriam Cleitinho como candidato. A reunião derradeira ocorreu nesta segunda-feira, consumando a desistência do senador.

Eleito em 2022, Cleitinho tem mandato no Senado até 2030. Ele entrou na política em 2016, se elegendo vereador de Divinópolis. Dois anos depois, foi eleito deputado estadual. Cumpriu o primeiro mandato e se candidatou a senador com o apoio do então presidente Jair Bolsonaro (PL).

No processo, foi o principal puxador de votos da candidatura de dois outros irmãos. Eduardo Azevedo (Republicanos), atualmente deputado estadual, e Gleidson Azevedo, que governou Divinópolis por dois mandatos e se desincompatibilizou da prefeitura para disputar a eleição deste ano.

Em Minas Gerais, Gleidson é cotado para ser candidato a senador na chapa do candidato a governador que Cleitinho decidir apoiar.

Estadão
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