Renan Santos diz buscar 'olhar generoso' de 'pessoas ótimas' que quer em eventual governo
Em sabatina, o candidato à Presidência Renan Santos (Missão) afirmou desejar economistas como Marcos Lisboa em um eventual governo e defendeu subsídios ao agro por sua produtividade. Ele se posicionou contra o fim da escala 6x1, alertando para impactos no varejo, e pregou reformas trabalhista e fiscal. Renan também declarou apoio ao modelo do SUS, criticou a direita populista de Donald Trump e disse que não repetiria a postura agressiva adotada contra Lula no debate anterior.
O candidato do Missão à Presidência, Renan Santos, afirmou que convidou o economista Marcos Lisboa e outras "pessoas ótimas" para participar do seu governo, caso seja eleito. Durante a sabatina promovida pelo O Globo, Valor Econômico e CBN nesta quinta-feira, 27, ele disse que Lisboa "jamais aceitaria ser ministro" dele.
"Existe um estudo muito bom, existe uma pessoa que é... Pena que ele jamais aceitaria ser ministro meu. O Marcos Lisboa. Eu acho esse cara o máximo. Eu convidei todas as pessoas ótimas. E eu espero que, crescendo nas pesquisas, elas me olhem de uma maneira um pouco mais generosa. Não que eu não tenha admiração (por essas pessoas) de qualquer maneira. Mas eu gostaria de contar com pessoas desse nível, Marcos Lisboa, uma Elena Landau", afirmou Renan Santos.
O candidato citou o economista ao defender que os subsídios do agronegócio sejam mantidos em um eventual governo dele, apesar de defender o corte de benefícios fiscais.
"Tem um ótimo paper feito pela turma dele (Marcos Lisboa) mostrando o único setor brasileiro que cresce a produtividade em níveis compatíveis com China e Vale do Silício é o agro. O agro tem um nível de produtividade que justifica algum tipo de investimento setorial, porque a produtividade dele, a capacidade de geração de riqueza por hora trabalhada é incrível", disse.
Renan Santos foi questionado também sobre sua posição em relação à taxa das blusinhas e acusou setores empresariais de olharem "para o próprio rabo". "Se a gente não atacar problemas estruturais, isso eu falei para todos os setores que eu conversei, não adianta ficarem me pedindo defesas pontuais", disse.
O candidato do Missão voltou a criticar a pauta do fim da escala 6x1. O presidenciável afirmou que "essa é uma pauta perigosíssima, especialmente para o Brasil".
O candidato afirmou que os setores de varejo e de "contratação intensiva" já passam por vários problemas. "A gente viu o fechamento agora do Habib's, uma rede que o Brasil tem muito afeto. Raízen também está pedindo recuperação. Já houve o problema com as Casas Bahia. Imagine isso em um cenário em que estão prometendo que as pessoas vão trabalhar menos e ganhar mais, porque você vai diminuir as horas trabalhadas e manter o salário mensal igual", disse.
Durante a sabatina, ele também defendeu reformas. "Nós precisamos de uma nova legislação trabalhista que contemple outro tema aqui, que é um problema fiscal também. Nós temos um problema fiscal, previdenciário e trabalhista no Brasil, que envolve desde questões fiscais, desde o rombo da Previdência à competitividade", acrescentou.
Renan Santos diz que direita populista está 'em queda' e que Trump vai 'morrer lentamente'.
Ainda na entrevista, Renan Santos afirmou que a "direita populista internacional está em queda" e que governo de Donald Trump tem uma leitura geopolítica que vai fazer ele "morrer lentamente em silêncio".
"Eu vejo a direita populista internacional em queda, não vejo ela no melhor momento dela. Há vários problemas no governo do Trump. Eu não acho que o governo do Trump esteja falhando por causa dos conflitos ali com o Judiciário. O governo do Trump tem uma leitura geopolítica e a política tarifária que ele fez, e a incapacidade de resolver as questões internas que motivaram a classe média a votar nele, que vão fazer ele simplesmente morrer lentamente em silêncio", disse.
A declaração ocorreu após o candidato ser questionado sobre suas críticas ao Judiciário e ele reiterar que não vai obedecer decisões que considerar "ilegais" em um contexto de sofrer intervenção da Justiça sobre suas políticas de combate ao crime organizado. "O Brasil vive uma crise muito brasileira nas suas instituições", disse.
A sabatina também abordou sobre o SUS. "Eu acredito no modelo do SUS. Eu era um 'SUS cético' até estudar", disse. Entretanto, ele afirma que o sistema apresenta muitos problemas, principalmente de acesso.
Renan Santos diz que não repetiria postura que teve em debate
O presidenciável afirmou também que não se arrepende das falas feitas no debate da Band/Estadão do último domingo, 23, mas disse que não repetiria a postura em um novo debate.
Renan Santos afirmou que estava "verdadeiramente revoltado" com a ausência dos candidatos à presidência Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na ocasião, Renan Santos atacou o presidente Lula e o chamou de "bêbado" e "ladrão", entre outros xingamentos, o que motivou uma ação do petista no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Ao ser questionado sobre se teria se arrependido, ele disse que não. "Eu não me arrependo de nada, não me arrependo sequer dos meus erros. Eu não os repetiria, quando eu considerá-los um erro", disse. Em seguida, afirmou que não teria a mesma postura em um novo debate eleitoral.
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