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Relembre figuras públicas que já 'inflaram' o currículo

Se assumir a cadeira do MEC, ele será o terceiro nome consecutivo da pasta cuja bibliografia apresenta divergências com a realidade

30 jun 2020
13h05
atualizado às 13h20
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Cotado para chefiar o Ministério da Educação, Carlos Alberto Decotelli da Silva foi anunciado pelo presidente Jair Bolsonaro como doutor pela Universidade Nacional de Rosário, na Argentina. Como afirmado pelo próprio reitor da instituição ao Estadão, o título atribuído a Decotelli era falso e o curso nunca foi concluído. Esse, entretanto, não é o primeiro caso de "currículo inflado" no governo.

Escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro como novo ministro da Educação, o professor Carlos Alberto Decotelli, de 67 anos, é evangélico, oficial da reserva da Marinha e o primeiro negro a ocupar um cargo na Esplanada. 
Escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro como novo ministro da Educação, o professor Carlos Alberto Decotelli, de 67 anos, é evangélico, oficial da reserva da Marinha e o primeiro negro a ocupar um cargo na Esplanada.
Foto: Marcello Casal Jr/Agencia Brasil / Estadão Conteúdo

Se realmente assumir a cadeira do MEC, Decotelli será o terceiro nome consecutivo do ministério cujo currículo apresenta divergências com a realidade. E, apesar de invicta nesse quesito, a pasta não é a única chefiada por pessoas com inconsistências bibliográficas. A prática tampouco é privilégio da administração de Bolsonaro no governo federal, e já foi provada em governadores, prefeitos e ex-presidente.

Abaixo, relembre outros casos de figuras públicas que mentiram no currículo:

Abraham Weintraub, ex-ministro da Educação

O sucessor de Decotelli na cadeira do MEC foi apresentado pelo presidente como doutor e professor universitário "de ampla experiência em gestão". Entretanto, Abraham Weintraub nunca recebeu título de doutor por nenhuma universidade, como mostrou reportagem da revista Época.

Após o erro ter sido apontado, Bolsonaro retificou a informação em suas redes sociais. Mas essa não era a única inconsistência no currículo do ministro e,dias depois, ele foi acusado de se "autoplagiar" publicando o mesmo artigo em mais de uma revista.

Ricardo Vélez Rodríguez, ex-ministro da Educação

O primeiro ministro da Educação no governo Bolsonaro contava com pelo menos 22 informações falsas em seu currículo, de acordo com levantamento do Nexo. Em março de 2019, Vélez tinha atribuído a si mesmo a autoria de livros que não foram escritos por ele, e listou artigos publicados em periódicos sem reconhecimento científico.

Damares Alves, ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos

Antes de se unir ao governo de Jair Bolsonaro como ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, a então palestrante Damares Alves se apresentava como "advogada", "mestre em educação", "em direito constitucional" e "direito da família". Em janeiro de 2019, entretanto, ela confessou à Folha de S. Paulo que os títulos não foram conquistados em uma universidade, mas sim em leituras da bíblia. "Nas igrejas cristãs é chamado mestre todo aquele que é dedicado ao ensino bíblico", afirmou.

Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente

Ao contrário do que dizia, o atual ministro do Meio Ambiente nunca foi sequer matriculado como aluno de mestrado na Universidade de Yale, uma das mais concorridas nos EUA. A informação inicial constava em um artigo assinado pelo próprio Ricardo Salles na Folha de S. Paulo e foi usada durante sua participação no programa Roda Viva, mas desmentida posteriormente em reportagem do The Intercept Brasil. Questionado, o ministro culpou sua assessoria de imprensa pelo erro.

Dilma Rousseff, ex-presidente

Quando ainda era pré-candidata à presidência, em 2009, o currículo da então ministra da Casa Civil contava com um mestrado e um doutorado em ciência econômicas pela Unicamp. As informações, replicadas na Plataformas Lattes, eram falsas. Apesar de ter estudado na universidade após o bacharelado na UFRGS, Dilma Rousseff não chegou a concluir os cursos.

Wilson Witzel, governador do Rio

Harvard também foi a instituição escolhida por Wilson Witzel (PSC) para inflar seu currículo Lattes, onde ele afirmava que parte do seu doutorado na Universidade Federal Fluminense (UFF) foi cursado na instituição dos EUA. Entretanto, a informação era falsa e foi denunciada pelo jornal O Globo.

Questionada, a assessoria do ex-juiz federal negou que houvesse erro no currículo, mas admitiu que iria corrigir a informação. "Em seu projeto inicial de doutorado, ele incluiu a possibilidade de aprofundar os estudos em Harvard, projeto interrompido pela campanha ao governo do Estado, em 2018, quando se encerraram as inscrições para a universidade norte-americana (....). Quando o governador iniciou o doutorado atuava como juiz federal e não tinha como prever que o projeto de estudar em Harvard poderia ser adiado em razão da eleição", justificou.

Marcelo Crivella, prefeito do Rio

A nível municipal no Rio de Janeiro, o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) também alegou ser doutor em Engenharia Civil pela Universidade de Pretória, na África do Sul, sem nunca ter estudado lá. A informação foi verificada pela Agência Lupa e confirmada pelo ex-bispo, que alegou ter apenas revalidado seu diploma brasileiro na instituição.

Mesmo após a retratação, sua passagem falsa pela Universidade de Pretória continuou na biografia de Crivella no site da Prefeitura do Rio até 2019.

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Estadão
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