Rejeição de Lula entre evangélicos não aumentou para 80% após divulgação de conversas de Moraes
INSTITUTOS DE PESQUISA NÃO REGISTRARAM VARIAÇÃO SIGNIFICATIVA NO ÍNDICE DESDE A QUEBRA DE SIGILO DAS MENSAGENS TROCADAS ENTRE DANIEL VORCARO E MINISTRO DO STF
É falsa a informação de que a rejeição do presidente Lula entre evangélicos saltou para 80% após a divulgação de conversas do ministro Alexandre de Moraes com o dono do Banco Master. Checagem do Estadão Verifica revelou que os principais institutos de pesquisa, como Quaest, BTG/Nexus e Meio/Ideia, apontam estabilidade nos índices no período de análise, sem variações bruscas. Embora a rejeição no segmento permaneça alta, oscilando entre 62% e 76,6%, nenhum levantamento confirma o salto de 20 pontos.
O que estão compartilhando: que uma pesquisa teria mostrado aumento da rejeição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entre evangélicos. O índice teria saltado de 60% para 80% após a revelação de conversas entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é falso. Nenhuma das principais pesquisas aponta um salto de 20 pontos percentuais na rejeição de Lula entre evangélicos. Os levantamentos mostram que a rejeição já era alta e permaneceu estável. A Meio/Ideia mostrou oscilação de 74,1% (na pesquisa feita entre 31 de julho e 3 de agosto) para 76,6% (entre 4 e 7 de setembro). Na Quaest, a rejeição se manteve em 65% entre dois levantamentos (feitos entre 30 de agosto e 1º de setembro e entre 3 e 6 de setembro). O mesmo se observou na BTG/Nexus, que repetiu os 62% registrados no fim de agosto (entre os dias 28 e 30) e no início de setembro (dias 4 e 7).
Saiba mais: A publicação com a alegação falsa teve mais de 48 mil curtidas e 2,5 mil compartilhamentos no Instagram,
O Verifica analisou as principais pesquisas divulgadas entre 1º e 9 de setembro — intervalo que permite avaliar os impactos do caso na popularidade do presidente. Os principais institutos não registraram o cenário apontado pela postagem.
No dia 9 de setembro, Lula defendeu a quebra de sigilo imediata das investigações referentes ao caso do Banco Master. O petista disse que o cenário de instabilidade no Poder Judiciário é grave e defendeu transparência nos processos em andamento.
Na postagem, o presidente cita a Operação Spoofing, que prendeu os hackers responsáveis pela invasão de celulares de autoridades. A operação foi deflagrada para apurar a invasão das contas do ex-juiz Sergio Moro e do ex-procurador Deltan Dallagnol no aplicativo Telegram.
Foi a partir desta operação que se obtiveram conversas que serviriam de base para a anulação das condenações contra Lula. As defesas dos réus na Lava Jato, entre eles Lula, tiveram acesso a esse conteúdo e puderam usá-lo para contestar suas condenações.
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