Randolfe Rodrigues, Renan Calheiros, Ciro Nogueira e mais 16 perdem reeleição ao Senado
Lista de senadores que deixarão o cargo vai da base governista à oposição
Uma forte onda de renovação barrou a reeleição de 19 dos 32 senadores que disputaram o pleito de 2026, um revés de 59,3%. Entre os derrotados estão nomes de peso tanto da base do governo Lula, como o líder Randolfe Rodrigues e o veterano Renan Calheiros, superado por Arthur Lira em Alagoas, quanto da oposição ligada ao bolsonarismo, caso do líder da minoria Ciro Nogueira. A expressiva taxa de renovação atingiu parlamentares de todas as regiões e redesenhará o equilíbrio de forças no Senado.
BRASÍLIA - Dezenove dos 32 senadores que tentaram a reeleição fracassaram nas urnas, mostra levantamento do Estadão com base nos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Um dos maiores caciques da Casa, Renan Calheiros (MDB-AL) teve 22,24% dos votos e perdeu a cadeira para o ex-presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira (PP) e para a ex-primeira-dama de Maceió Marina JHC (PSDB), estreante nas urnas.
A maior baixa cai na conta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Líder do governo no Senado, Randolfe Rodrigues (PT-AP) teve 18,55% dos votos e perdeu a segunda vaga para o senador Lucas Barreto (PSD-AP).
A bênção presidencial também não bastou para reeleger o ex-ministro da Agricultura e Pecuária Carlos Fávaro (PSD-MT), com 11,5%, e a senadora Eliziane Gama (PT-MA), com 9,75%. Os parlamentares ficaram em quarto e em quinto lugar nos respectivos Estados.
A guinada do bolsonarismo em 2018 à aliança com Lula em 2026 vivida por Soraya Thronicke (PSB-MS) não convenceu os eleitores do Mato Grosso do Sul, que a deixaram de fora do Senado. A parlamentar, representante do agronegócio, fracassou nas urnas, ficando com 13,07%.
Para o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), a principal perda é a do líder da minoria no Senado, Ciro Nogueira (PP-PI), que já reconheceu a derrota publicamente, com 24,68% dos votos. Na lista, também há o senador Angelo Coronel (Republicanos-BA), para quem 20,14% não foram suficientes.
A derrota de 59,3% dos senadores candidatos à reeleição aponta para um movimento de renovação na Casa. Os 26 Estados e o Distrito Federal escolheram nomes para duas vagas nas eleições de 2026.
Com 21,25% dos votos, a senadora Leila do Vôlei (PDT-DF) deixará de representar a capital federal, que a preteriu em favor da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF) e da deputada federal Bia Kicis (PL-DF). Tanto o Maranhão quanto o Espírito Santo escolheram renovar as duas vagas em disputa ao Senado. Além de Eliziane, sai Weverton Rocha (PDT-MA), com 15,21%.
Já o Estado capixaba não deu chance para Fabiano Contarato (PT-ES): o ex-delegado, eleito na onda da segurança pública em 2018, não conseguiu traduzir em votos a vitrine ocupada na presidência da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no primeiro semestre. Ficou com 12,94%. Marcos do Val (Avante-ES) sofreu uma derrota acachapante: teve 4,17% dos votos válidos.
Assim como Contarato, ocupar a presidência da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) também não bastou para reeleger Carlos Viana (PSD-MG). Com 99,99% das urnas apuradas, ele obteve 17,46% dos votos.
Além deles, senadores de seis Estados também não continuarão na Casa a partir de 1º de fevereiro de 2027. São eles: Sérgio Petecão (PSD-AC), com 10,38% dos votos; Vanderlan Cardoso (PSD-GO), com 9,49%; Zequinha Marinho (Podemos-PA), com 21,06%; Chico Rodrigues (PSB-RR), com 13,43%; Esperidião Amin (PP-SC), com 15,31%; e Zenaide Maia (PSD-RN), com 17,47%.
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