Quem sai do cargo e quem fica? Março é mês decisivo para candidatos às eleições de 2026
Restam pouco mais de 30 dias para que governadores, ministros e parlamentares definam quais serão seus rumos eleitorais
O cenário político brasileiro está oficialmente em contagem regressiva com a chegada do mês de março. A partir de agora restam pouco mais de 30 dias para que governadores, ministros e parlamentares definam seus rumos eleitorais.
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O dia 4 de abril marca o prazo final para desincompatibilização, ou seja, a data-limite para que ocupantes de cargos no Executivo deixem suas funções caso queiram disputar as eleições de outubro. Também é o último dia da chamada janela partidária, período em que deputados podem trocar de legenda sem risco de perda do mandato.
Neste ciclo eleitoral, o impacto é ainda maior. Impedidos de buscar um terceiro mandato consecutivo, 18 dos 27 governadores não poderão disputar a reeleição, o que provoca uma ampla reorganização nas alianças Estaduais e nacionais.
Pela legislação eleitoral, candidatos precisam se afastar de cargos no Executivo seis meses antes do pleito, marcado para 4 de outubro de 2026. A regra vale para governadores, ministros e outros ocupantes de funções públicas que pretendam concorrer a cargos majoritários ou proporcionais.
Ao mesmo tempo, o encerramento da janela partidária intensifica as articulações em Brasília e nos Estados, com partidos disputando quadros estratégicos para fortalecer bancadas na Câmara e, principalmente, no Senado, que renovará dois terços de suas cadeiras.
Governadores: quem fica, quem sai e quais os planos
Dos 27 governadores do país, apenas nove iniciam este mês de março com o caminho aberto para a reeleição em 2026. Entre eles, a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD-PE), que se movimenta estrategicamente para consolidar sua base após a troca de partido; Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), que apesar da pressão para o Planalto, reafirma o foco no Estado; e Jorginho Mello (PL-SC), que busca manter a força da legenda no Sul.
No Nordeste, reduto importante, os petistas Jerônimo Rodrigues (PT-BA), Elmano de Freitas (PT-CE) e Rafael Fonteles (PT-PI) também tentam renovar o mandato, assim como Fábio Mitidieri (PSD-SE), Eduardo Riedel (PSDB-MS) e Clécio Luís (Solidariedade/União Brasil-AP).
A maior parte dos chefes do Executivo estadual que devem deixar o cargo em abril mira uma cadeira no Senado Federal. Outros articulam projetos nacionais e tentam viabilizar candidaturas à Presidência da República.
De olho no Palácio do Planalto
Alguns governadores são apontados como possíveis candidatos à Presidência e, para isso, precisam renunciar até abril:
- Romeu Zema (Novo-MG): busca se consolidar como nome competitivo no campo conservador.
- Ronaldo Caiado (União-GO): já declarou publicamente sua pré-candidatura ao Planalto.
- Ratinho Júnior (PSD-PR): é visto como um dos principais candidatos nacionais do PSD.
- Eduardo Leite (PSD-RS): após migrar para o PSD, tenta se reposicionar no cenário presidencial.
Rumo ao Senado
Em outros Estados, a saída para disputar o Senado é considerada praticamente certa:
- Helder Barbalho (MDB-PA): é pré-candidato ao Senado, abrindo espaço para que a vice, Hana Ghassan (MDB), assuma o governo.
- Cláudio Castro (PL-RJ): confirmou que pretende deixar o cargo para disputar o Senado. Como o vice-governador, Thiago Pampolha, deixou o posto ao assumir vaga no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), o Estado não tem substituto direto. Nesse caso, poderá haver eleição indireta para a escolha de um governador-tampão. A eleição indireta ocorre quando não há vice para assumir e a vacância acontece nos dois últimos anos do mandato. Nessa situação, a escolha é feita pela Assembleia Legislativa, e não pelo voto popular, regra prevista no artigo 81 da Constituição Federal.
- Ibaneis Rocha (MDB-DF): deve disputar o Senado; a vice, Celina Leão (PP), assumirá o governo e poderá concorrer à reeleição.
- Fátima Bezerra (PT-RN): também pretende disputar o Senado. O vice, Walter Alves (MDB), já indicou que não pretende permanecer no cargo para concorrer a deputado estadual, o que pode abrir caminho para eleição indireta no Estado.
- Gladson Cameli (PP-AC): é outro governador cotado para concorrer a uma vaga no Senado.
Saída de ministros do governo Lula
Pelo menos 20 ministros devem deixar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para disputar as eleições de 2026. Entre os nomes cotados para sair até abril estão o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT); a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT); e o ministro da Educação, Camilo Santana (PT), além de outros integrantes da Esplanada.
A movimentação faz parte de uma estratégia política. O Palácio do Planalto trabalha para ampliar sua base no Congresso Nacional de olho em um eventual quarto mandato. A avaliação interna é de que fortalecer a presença governista no Senado é fundamental, já que a Casa exerce papel decisivo nas pautas institucionais.
Para a oposição, o Senado também é peça-chave. Cabe aos senadores sabatinar e aprovar indicações ao Supremo Tribunal Federal, além de analisar eventuais pedidos de impeachment contra ministros da Corte.
Nos bastidores de Brasília, já circulam projeções sobre o destino eleitoral de integrantes do primeiro escalão:
- Casa Civil: Rui Costa (PT) deve disputar o Senado pela Bahia;
- Relações Institucionais: Gleisi Hoffmann (PT) deve concorrer ao Senado pelo Paraná;
- Desenvolvimento, Indústria e Comércio: Geraldo Alckmin (PSB) tende a buscar a reeleição como vice-presidente;
- Fazenda: Fernando Haddad (PT) avalia candidatura ao governo de São Paulo;
- Educação: Camilo Santana (PT) é apontado como candidato ao governo do Ceará;
- Transportes: Renan Filho (MDB) deve disputar o governo de Alagoas;
- Esporte: André Fufuca (PP) deve concorrer ao Senado;
- Portos e Aeroportos: Silvio Costa Filho (Republicanos) planeja candidatura ao Senado por Pernambuco;
- Integração Nacional: Waldez Góes (PDT) é cotado para o Senado pelo Amapá;
- Secretaria de Comunicação da Presidência: Sidônio Palmeira deve deixar o cargo para atuar no marketing da campanha de reeleição de Lula;
- Planejamento: Simone Tebet (MDB) é apontada como possível candidata ao Senado por São Paulo;
- Meio Ambiente: Marina Silva (Rede) é cotada para disputar vaga no Senado;
- Cidades: Jader Filho (MDB) deve tentar uma cadeira na Câmara como deputado federal pelo Pará;
- Agricultura: Carlos Fávaro (PSD) deve buscar a reeleição ao Senado por Mato Grosso;
- Pesca: André de Paula (PSD) deve concorrer a deputado federal por Pernambuco;
- Igualdade Racial: Anielle Franco (PT) avalia disputar vaga na Câmara pelo Rio de Janeiro;
- Desenvolvimento Agrário: Paulo Teixeira (PT) deve tentar a reeleição como deputado federal por São Paulo;
- Empreendedorismo: Márcio França (PSB) planeja candidatura ao governo de São Paulo;
- Minas e Energia: Alexandre Silveira (PSD) avalia disputar o Senado por Minas Gerais;
- Direitos Humanos: Macaé Evaristo (PT) deve concorrer a deputada estadual em Minas Gerais;
- Povos Indígenas: Sonia Guajajara (PSOL) deve buscar a reeleição como deputada federal por São Paulo;
- Previdência Social: Wolney Queiroz (PDT) deve disputar vaga de deputado federal por Pernambuco.
Migração partidária
Deputados federais, estaduais, senadores e prefeitos já começaram a movimentar suas legendas antes da abertura oficial da janela partidária, que começa em 6 de março. Nesse movimento, partidos como PSD, Republicanos, Podemos e PP são responsáveis por grande parte das trocas.
A corrida interna por novas siglas já vem alterando a composição do Congresso e mudando a correlação de forças entre as principais legendas.
O PSD tem sido um dos principais beneficiados dessas migrações. Em janeiro de 2026, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, anunciou oficialmente sua filiação à sigla após deixar o União Brasil, em uma mudança pensada tanto para fortalecer sua pré-candidatura quanto para integrar um bloco competitivo rumo ao Palácio do Planalto. Ele chegou ao partido ao lado de nomes fortes como os governadores Ratinho Júnior, do Paraná, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, todos cotados para disputa presidencial.
Além de Caiado, outros quadros relevantes também sinalizam movimentos partidários nos últimos meses. Entre eles está Cícero Lucena, prefeito de João Pessoa, que deixou o PP e se filiou ao MDB em 2025 para impulsionar sua pré-candidatura ao governo da Paraíba, voltando à sigla em que iniciou sua trajetória política.
Também há Max Russi, presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, que confirmou sua saída do PSB e que deve se filiar ao Podemos na janela partidária de 2026 para fortalecer sua reeleição como deputado estadual.
Veja as principais datas do calendário das eleições de 2026:
1º de janeiro – Início da obrigatoriedade de registro das pesquisas eleitorais
- Pesquisas de intenção de voto para divulgação em meios de comunicação foram registradas no TSE (Lei nº 9.504/1997 e Resolução nº 23.600/2019). Empresas ou entidades têm até cinco dias antes da divulgação para cumprir a obrigação.
1º a 31 de março – Janela partidária
- Último período para deputados e parlamentares mudarem de partido sem risco de perda do mandato.
4 de abril – Prazo final de desincompatibilização
- Governadores, ministros e outros ocupantes de cargos no Executivo devem deixar os cargos se desejam concorrer a outro cargo em 2026.
6 de maio – Último dia para tirar ou regularizar o título de eleitor
- Após essa data, o cadastro eleitoral será fechado.
20 de julho a 5 de agosto – Convenções partidárias
- Escolha oficial de candidatos pelos partidos.
- Não há candidatura avulsa; todos devem estar filiados a um partido.
15 de agosto – Horário eleitoral gratuito
- Justiça Eleitoral define plano de mídia para emissoras, com início da propaganda eleitoral gratuita no rádio e TV.
16 de agosto – Início da propaganda eleitoral
- Só pode haver publicidade explícita de campanha a partir desta data.
- Antes disso, manifestações pedindo votos podem ser consideradas irregulares.
15 a 19 de agosto – Prazo de registro de candidaturas
Todos os partidos devem registrar oficialmente seus candidatos no TSE (presidente) ou nos TREs (demais cargos).
Primeiro turno – 4 de outubro de 2026
- Eleição geral para presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais/distritais.
Segundo turno – 25 de outubro de 2026
- Caso nenhum candidato a presidente ou governador alcance mais de 50% dos votos válidos no primeiro turno, ocorre o segundo turno.