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PT recorrerá à corregedoria da PF após não-soltura de Lula

Juiz de segunda instância havia determinado a libertação do ex-presidente; mais tarde, a decisão caiu

9 jul 2018
16h22
atualizado às 16h39
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O PT vai entrar com uma reclamação na corregedoria da Polícia Federal questionando o descumprimento pela instituição do alvará de soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva expedido no domingo pelo desembargador plantonista do Tribunal Regional da 4ª Região, Rogério Favreto, disse nesta segunda-feira (9) a presidente do partido, senadora Gleisi Hoffmann (PR).

"Vamos apresentar uma reclamação à corregedoria da PF. O governo brasileiro tem que se explicar por que é que a PF não cumpriu uma decisão judicial e ficou fazendo conluio com o juiz Sérgio Moro e os desembargadores para não soltar Lula", disse Gleisi ao final de uma reunião de emergência da executiva do partido na manhã deste segunda, em São Paulo.

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann
A presidente do PT, Gleisi Hoffmann
Foto: Leonardo Benassatto / Reuters

O partido alega que a PF em Curitiba recebeu o alvará de soltura às 9h da manhã de domingo, mas não cumpriu a decisão.

O alvará foi enviado pelo desembargador junto com a primeira decisão liminar de conceder o habeas corpus ao ex-presidente. Em seguida, o juiz Sérgio Moro afirmou, em despacho, que a decisão não deveria ser cumprida até que fosse acionado o relator do caso no TRF-4, desembargador João Pedro Gebran Neto, que acabou revertendo a decisão de Favreto.

Às 16h12, o desembargador, que continuava como plantonista, concedeu mais uma vez o HC a Lula e mandou a PF soltá-lo em até uma hora. A Superintendência da PF afirma que recebeu a ordem apenas às 17h58. Cerca de uma hora e meia depois, o presidente do TRF-4, Carlos Eduardo Thompson Flores, reverteu a decisão de Favreto. Havia um comboio pronto para a saída do ex-presidente da PF, mas Lula ainda não havia sido liberado.

Segundo Gleisi, a situação foi "frustrante" para o ex-presidente, mas disse que ele não chegou a acreditar que poderia sair porque a Justiça não lhe tem dado nenhuma vitória.

Um dos autores do habeas corpus, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), afirmou à Reuters que vai recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para reverter a decisão do presidente do TRF-4 e garantir a liberdade de Lula. "Vamos entrar em breve", disse, sem precisar quando isso vai ocorrer.

Para Pimenta, o episódio demonstrou, "de maneira inequívoca", a atuação parcial do TRF-4 em desfavor de Lula.

A presidente do PT também afirmou que serão feitas representações no Conselho Nacional de Justiça contra Sérgio Moro, Gebran Neto e Thompson Flores, mas não pelo partido, mas por movimentos sociais.

"Vamos fazer representação no CNJ, aí não como partido, mas movimentos sociais já estão preparando. Juristas da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia estão trabalhando nisso", disse a senadora.

Um dos deputados que pediram o HC para Lula, Paulo Teixeira (SP) diz que Moro "bagunçou" o sistema judiciário brasileiro e precisa ser afastado do cargo e que todas as ações possíveis contra o juiz serão analisadas.

Defesa

Ao sair de um encontro com Lula nesta segunda-feira. um dos advogados de defesa do ex-presidente, Cristiano Zanin, criticou duramente Moro e disse que sua atuação no caso apenas confirma a parcialidade que a defesa sempre apontou, mas evitou dizer se a defesa também irá tentar alguma medida contra o juiz.

"Vou fazer com colegas da defesa uma análise desse aspectos. Mas, evidentemente que quando você tem um juiz de primeira instância que está em férias e não tem mais jurisdição sobre o caso atuando para impedir o cumprimento de uma decisão proferida por um tribunal superior isso é muito preocupante, incompatível com o devido processo legal", disse Zanin.

A defesa de Lula não teve participação direta na ação que levou ao HC concedido no domingo. A ação, impetrada pelos deputados Paulo Teixeira, Paulo Pimenta (RS) e Wadih Damous (RJ), foi assinada pelo advogado Fernando Fernandes.

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