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Política

TCU identifica falhas na governança de dados em órgãos do governo federal e aponta limitações

Tribunal realizou auditoria para verificar como IBGE, BNDES, Anatel, INSS e Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima gerenciam seus dados; também foi examinado modelo de avaliação do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos

6 mar 2026 - 21h54
(atualizado em 7/3/2026 às 09h30)
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Auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) divulgada na última quarta-feira, 4, identificou falhas na governança de dados em órgãos do governo federal e apontou limitações no modelo utilizado pelo próprio governo para avaliar a maturidade dessas práticas na administração pública. O processo tem relatoria do ministro Augusto Nardes.

O trabalho analisou a gestão de dados no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), no Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A auditoria também examinou o modelo de avaliação utilizado pela Secretaria de Governo Digital do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI).

Auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) divulgada na última quarta-feira, 4, identificou falhas na governança de dados em órgãos do governo federal.
Auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) divulgada na última quarta-feira, 4, identificou falhas na governança de dados em órgãos do governo federal.
Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado / Estadão

Procurado, o BNDES informou que recebeu as recomendações com naturalidade, que mantém uma relação colaborativa com o TCU e que prestou esclarecimentos formais ao Tribunal no âmbito da referida auditoria.

Já o MMA afirmou que recebeu com seriedade as conclusões e vem adotando providências para o aprimoramento de seus mecanismos internos.

O MGI afirmou que boa parte das recomendações do Tribunal serão endereçadas em um decreto que o governo federal está finalizando e que o modelo de maturidade vem sendo aprimorado ano a ano. (Leia mais abaixo)

O INSS e a Anatel afirmaram que ainda não foram notificados. O IBGE não se manifestou até a publicação deste texto. O espaço segue aberto.

"Em maior ou menor grau, todas as organizações avaliadas apresentam lacunas significativas em suas estruturas de governança de dados. Apesar de diferenças de contexto, porte e missão institucional, a equipe constatou fragilidades na institucionalização de políticas, procedimentos, comitês, papéis e rotinas essenciais para uma gestão moderna e segura de dados", diz a auditoria.

A auditoria concluiu que a maioria das instituições ainda está em estágios iniciais ou intermediários de maturidade na governança de dados. Mesmo o órgão considerado mais avançado entre os analisados - o IBGE -apresentou lacunas, especialmente na comprovação da efetividade das práticas adotadas e na mensuração de resultados.

Segundo o TCU, os resultados podem afetar diretamente a qualidade das políticas públicas, a transparência administrativa e o cumprimento de normas legais, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e a Lei de Acesso à Informação (LAI). Também pode comprometer a confiabilidade das informações utilizadas por gestores públicos e pela sociedade.

Além de avaliar os órgãos, o TCU também analisou o modelo utilizado pelo governo federal para medir a maturidade da governança de dados, o indicador iGovSisp, do Sistema de Administração dos Recursos de Tecnologia da Informação (Sisp).

"A auditoria constatou limitações relevantes, com potencial para comprometer a precisão do diagnóstico institucional e o planejamento estratégico das organizações", diz o relatório.

A auditoria identificou que o sistema depende principalmente de autoavaliação dos próprios órgãos e utiliza perguntas consideradas amplas ou genéricas, o que pode gerar interpretações distintas e resultados mais otimistas do que a realidade observada.

Na comparação entre as respostas do iGovSisp e a análise feita pela equipe de auditoria do TCU, o tribunal apontou "limitações importantes que exigem aperfeiçoamento".

"Sem indicadores precisos, evidências documentais e critérios uniformes, o processo de autoavaliação tende a gerar assimetrias entre percepção e realidade, o que dificulta o planejamento institucional, compromete o monitoramento e reduz a efetividade de políticas transversais de transformação digital", diz o relatório.

Na análise conduzida pelo tribunal, o Ministério do Meio Ambiente apresentou o nível mais baixo de maturidade na governança de dados, classificado como "inexpressivo". O INSS e o BNDES ficaram no estágio "iniciando", enquanto Anatel e IBGE foram classificados como "intermediário".

Diante das conclusões, o tribunal recomendou que os órgãos auditados desenvolvam ou revisem seus programas de governança de dados. O TCU também recomendou que a Secretaria de Governo Digital reavalie o modelo de aferição da maturidade da governança de dados utilizado no iGovSisp.

Veja a íntegra da nota do BNDES:

As recomendações do TCU apresentadas em auditoria operacional destinada a avaliar a maturidade da governança de dados em cinco organizações públicas federais, dentre elas o BNDES, são recebidas com naturalidade.

Como instituição mais transparente da República pelos critérios do próprio TCU, o BNDES mantém uma relação colaborativa com o TCU e entende que a atuação do Tribunal é fundamental para o aprimoramento das instituições e das políticas públicas.

O BNDES informa ainda que prestou esclarecimentos formais ao Tribunal no âmbito da referida auditoria, tendo destacado três marcos principais como compromisso do Banco em aprimorar sua governança. São eles: a criação da Gerência de Governança de Dados, em março de 2025; a aprovação do Regulamento de Governança de Dados do Sistema BNDES, em abril de 2025; e a celebração de contrato com a Unicamp, em maio de 2025, para a realização do programa de capacitação "Jornadas de Dados".

Veja a íntegra da nota do MMA

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) informa que recebeu com seriedade as conclusões da auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre governança de dados e, desde a finalização do relatório, vem adotando providências para o aprimoramento de seus mecanismos internos.

As medidas em curso buscam fortalecer a governança, a organização e a gestão de dados no âmbito do Ministério, inclusive por meio da estruturação de instância específica para tratar do tema.

O MMA reafirma seu compromisso com o aperfeiçoamento contínuo de seus processos e instrumentos de governança, em consonância com as recomendações dos órgãos de controle.

Veja a íntegra da nota do MGI

O Governo do Brasil já vem trabalhando para ampliar a governança dos dados desde o início da atual gestão, a partir de iniciativas como a criação da Infraestrutura Nacional de Dados - a chamada base de dados do Brasil, do Catálogo Nacional de Dados e do Modelo de Maturidade de Dados.

Em relação à auditoria, o Ministério da Gestão informa que atuou em colaboração com o TCU desde o princípio da fiscalização, inclusive indicando o que poderia ser considerado na fiscalização, a partir da experiência da Secretaria de Governo Digital, que acompanha a maturidade de dados dos órgãos desde 2023. Boa parte das recomendações e determinações do Tribunal serão endereçadas em um decreto que o Governo do Brasil está finalizando para continuar no esforço de ampliar a governança dos dados nos órgãos federais.

Além disso, o modelo de maturidade vem sendo aprimorado ano a ano e a nova versão irá considerar as recomendações do tribunal.

Estadão
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