Por que desinformação sobre invasão americana no Brasil viraliza? Entenda e saiba como checar
MUDANÇAS NAS RELAÇÕES ENTRE BRASÍLIA E WASHINGTON IMPULSIONARAM O COMPARTILHAMENTO DE IMAGENS FORA DE CONTEXTO E DE DECLARAÇÕES FORJADAS
Uma onda de desinformação com imagens fora de contexto espalha o boato falso de que os EUA estariam prestes a invadir o Brasil e prender autoridades. Especialistas apontam que as tensões diplomáticas com o governo de Donald Trump alimentam essas teorias, usadas para gerar pânico e engajamento. Contudo, não há precedentes para uma intervenção militar no país. Para evitar manipulações, recomenda-se checar a intenção das postagens alarmistas e verificar fatos em fontes confiáveis e oficiais.
Relatos falsos de "vigilância máxima" das forças de segurança e imagens sem contexto de blindados nas ruas alimentam uma onda de desinformação nas redes sociais. Essas publicações alegam que o Brasil estaria prestes a ser invadido por tropas dos Estados Unidos. As postagens alarmistas ignoram um fato central da diplomacia do Brasil, o histórico extenso de neutralidade e pacifismo em conflitos internacionais.
O Verifica encontrou uma série de conteúdos virais desse tipo. Muitas dessas postagens alegam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes estariam prestes a serem presos.
O que já checamos?
Entre as publicações checadas pelo Estadão Verifica está uma que afirma que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria assinado uma autorização para a invasão do Brasil. A publicação usa um trecho do Jornal Nacional de agosto do ano passado, que fala sobre uma ordem liberando ações militares contra cartéis de Venezuela, El Salvador e México. O Brasil não é citado na reportagem.
Outra publicação alega que Trump teria dito que o governo Lula teve todas as oportunidades para "fazer o certo" e que a "paciência acabou". As legendas do conteúdo dão a entender que o norte-americano pretenderia prender o brasileiro antes das eleições. Mas não há registros públicos dessas afirmações.
Mais um exemplo desse tipo de conteúdo é um vídeo que mostra a movimentação de militares nas ruas do Rio de Janeiro. O Estadão Verifica apurou que as imagens mostravam apenas tropas se deslocando na Vila Militar para uma solenidade.
O que explica o surgimento desses conteúdos?
As mudanças nas relações com os Estados Unidos estão por trás da proliferação de teorias sobre uma invasão militar, segundo a professora de Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) Clarissa Forner. Ela lembra que, desde que Trump reassumiu a Casa Branca em 2025, atua para que países da América Latina se alinhem aos seus interesses. O governo americano lançou a chamada "Doutrina Donroe", política para retomada de poder no Hemisfério Ocidental.
Outro fator importante para o enfraquecimento na relação entre Brasília e Washington foi o enquadramento das facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como terroristas, além da interferência americana no caso Alexandre de Moraes e na imposição de tarifas a importações do Brasil. "Esses aspectos, de forma alguma, legitimam ou abrem precedentes para intervenções em território brasileiro, mas funcionam como mecanismo de pressão e para ampliar a interferência ou presença dos EUA nos assuntos domésticos e na região", disse.
Como identificar e evitar ser enganado por esse tipo de conteúdo desinformativo?
Os conteúdos analisados têm em comum o intuito de causar apreensão em quem está recebendo a mensagem. É uma tática comum entre produtores de desinformação mexer com a reação emocional para alcançar engajamento.
Geralmente, as postagens usam linguagem sensacionalista, com muitos adjetivos e pedidos de compartilhamento. Diante disso, antes de compartilhar, vale se perguntar: "qual é a intenção de quem espalha essa mensagem?"
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É importante sempre procurar o contexto em que a afirmação está circulando e verificar a fonte que repassa a mensagem. Procure em veículos de comunicação tradicionais, perfis de órgãos governamentais e sites oficiais por informações confiáveis.
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