PF mira ex-secretário de TI do STJ para apurar vazamentos a advogado amigo de Flávio Bolsonaro
A Polícia Federal realizou buscas contra o ex-secretário de TI do STJ, Humberto Pradera, por suspeita de vazar decisões judiciais sigilosas ao advogado Willer Tomaz, ligado ao senador Flávio Bolsonaro. Autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, a operação baseia-se em diálogos interceptados que mostram o repasse antecipado de votos e processos a Tomaz. A apuração deriva do mesmo inquérito da PF que apura suposta lavagem de dinheiro envolvendo o parlamentar e o advogado.
A Polícia Federal cumpre busca e apreensão nesta segunda-feira, 19, contra o ex-secretário de tecnologia do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Humberto Fontoura Pradera, que foi exonerado na semana passada do STJ, A ação baseia-se em suspeita de vazamentos de informações antecipadas de processos da Corte ao advogado Willer Tomaz. Eles ainda não se manifestaram.
Trata-se da primeira ação autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes para aprofundar fatos relacionados ao advogado, amigo do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Como revelou o Estadão neste domingo, 18, Flávio se tornou alvo de nova investigação enviada pela PF ao Supremo no último dia 8 por suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Willer e o caso foi distribuído a Moraes.
A ação desta segunda não tem cumprimento de mandados relacionados a Flávio, mas se baseia no mesmo relatório. No documento que apontou vínculos entre Willer e Flávio, a PF também descreveu diálogos do advogado com o secretário de tecnologia do STJ e apontou que ele antecipava teor de votos e decisões para Willer.
Em um dos diálogos mencionados, por exemplo, a PF afirma: "HUMBERTO PRADERA encaminhou a WILLER TOMAZ uma fotografia da tela de um computador, na qual aparece aberto um documento jurídico de 17 páginas, cujo dispositivo concluía pelo não conhecimento dos recursos especiais. A fotografia aparenta ter sido produzida em ambiente funcional, considerando o contexto do documento exibido e a presença de carimbo sobre a mesa".
Em seguida, a PF descreve que Pradera explicou a Willer o teor da decisão a ser tomada, que ainda não tinha assinatura de um ministro. "Na sequência, ao ser questionado por WILLER sobre 'qual o número deles?', HUMBERTO respondeu que 'essa tá no REsp 2122969' e comentou que a tutela teria perdido efeito em razão do julgamento. O episódio registra o compartilhamento de conteúdo processual, acompanhado de explicações sobre seus possíveis efeitos", diz o relatório policial.
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