PF aponta coincidência entre gastos de filme sobre Bolsonaro e envio de emendas para produtora
Operação deflagrada nesta quinta-feira, 10, tem como um dos alvos o deputado federal Mario Frias (PL-SP)
A Polícia Federal apontou coincidências entre os gastos do filme Dark Horse e o envio de emendas parlamentares, por parte do deputado federal Mario Frias (PL-SP), à produtora Go Up Entertainment Ltda, que pertence à Karina Gama, produtora do longa-metragem.
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No relatório, a corporação afirma que identificou movimentações consideradas atípicas em contas correntes da empresa Go Up Entertainment Ltda. abrangendo o período de 10 de novembro de 2025 a 30 de dezembro de 2025.
Segundo a PF, as gravações do filme que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ocorreram entre os dias 20 de outubro de 2025 e 7 de dezembro de 2025, em São Paulo, mesmo período em que ocorreram as transações financeiras da empresa de Karina Gama.
A empresa movimentou o montante de R$ 19.033.071,00. Destes, R$ 645.400 foram enviados por Mario Frias. A PF ressaltou os gastos das gravações, que envolveram hospedagem de alto padrão, custeio com alimentação e pagamento a outras produtoras ligadas à produção.
"Destaca-se, ainda, o envio de R$ 645.400,00 para a Go Up pelo próprio Deputado Federal Mário Frias, cujos rendimentos mensais alcançam a monta de R$ 44.008,52, colocando em questão o lastro financeiro para dar suporte às transferências feitas para a pessoa jurídica de Karina Gama no curto espaço de menos de sessenta dias", diz um trecho do documento.
Outras duas empresas de Karina Gama são citadas pela PF no documento: o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC). A investigação também destacou uma transferência de R$ 750.000 feita pela NTT Brasil Ltda à produtora Go Up Entertainment Ltda.
A NTT Brasil é administrada por Heric Fabiano Dias, casado com Luiza Tessari Rocha Dias, que, segundo a PF, foi a terceira maior doadora da campanha à candidatura de Mario Frias, com o valor de R$ 70.000, em 2022.
O valor se aproxima do montante de R$ 700 mil recebidos pela Dinâmica Editora e pelo Instituto Super Poder Educacional, que pertencem ao mesmo grupo empresarial, por meio do Instituto Conhecer Brasil (ICB).
Operação Make Up
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibiu o deputado federal Mario Frias (PL-SP) de deixar o país e de manter qualquer contato com os investigados no âmbito da Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU) nesta quinta-feira, 10.
"Além da proibição de manter contato com os demais investigados, revela-se adequada e necessária a imposição da medida cautelar consistente na proibição de ausentar-se do território nacional, com o consequente recolhimento dos passaportes eventualmente emitidos em nome dos investigados alcançados pela presente representação, nos termos do art. 319, IV, do Código de Processo Penal", afirma a decisão.
A PF emitiu mandados de busca e apreensão contra Mario Frias e a produtora de Dark Horse, Karina Gama, dona da Go UP Entertainment Ltda. A operação visa investigar o desvio de recursos de emendas parlamentares para o financiamento do filme que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Outras 20 pessoas também são alvos da ação. Ao todo, foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal. Não há mandados de prisão.
A investigação apura possíveis crimes envolvendo desvio de recursos públicos federais, fraude em procedimentos de contratação, falsidade documental, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Além disso, foram identificadas movimentações financeiras de centenas de milhões de reais e tentativas de ocultação dos desvios que perduraram até julho deste ano.
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