Pacheco e Marinho: Saiba quem são os candidatos de Lula e Bolsonaro para comandar o Senado
Presidência do Senado e Congresso tem disputa entre Pacheco, com aval de petistas, e aliado de Bolsonaro, ex-ministro do Desenvolvimento Regional; na Câmara, Arthur Lira reúne apoios de aliados de Lula e de ex-presidente
As eleições do Congresso Nacional ocorrerão no dia 1º de fevereiro, na volta do recesso parlamentar. Estão em disputa as presidências da Câmara e do Senado. O perfil dos comandantes de ambas as Casas é muito relevante para a governabilidade do poder Executivo, chefiado por Luiz Inácio Lula da Silva. Uma má relação com o Legislativo pode atrapalhar ou impedir o andamento de propostas do governo, gerar pressão no Planalto por falta de alinhamento político e até desembocar na abertura de um processo de impeachment.
O atual presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), tenta a reeleição. Ele foi o candidato do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2021, quando foi eleito para comandar a Casa, mas neste ano tem demonstrado mais proximidade com o governo Lula. O nome apoiado pela ala bolsonarista do Congresso, desta vez, é Rogério Marinho (PL-RN), ex-ministro do Desenvolvimento Regional de Bolsonaro.
Ainda no campo bolsonarista, o senador Eduardo Girão (Podemos-CE) anunciou que vai se candidatar. Aliado fiel de Bolsonaro, ele afirma que seu objetivo, caso vença, será realinhar o Congresso à pauta bolsonarista, como a defesa pela "liberdade de expressão" ilimitada e o fim da suposta "censura" imposta pelo Judiciário.
Nas redes sociais, apoiadores do ex-presidente Bolsonaro começaram uma campanha contra Pacheco e a favor de Marinho. Eles também fazem pressão para que Girão desista da disputa, desobstruindo o caminho para que o ex-ministro seja o único candidato da oposição. Os bolsonaristas afirmam que o atual presidente da Casa está "fechado" com o PT, chamado por eles de "quadrilha". Apoiadores do ex-presidente inclusive levantaram a hashtag "#PachecoNao" para se opor ao mineiro.
Pacheco está com a quadrilha! Esse cara não pode ser reeleito presidente do Senado!!!
Acesse: https://t.co/3Jj1HCXNsT e cobre o senador do seu estado para votar contra o Pacheco e abrir o voto. pic.twitter.com/EXIUzcjJ0s
— Desgoverno Lula (@DesgovernoL) January 16, 2023
Prezado Senador @EduGiraoOficial não divida as possibilidades de tirarmos Pacheco da Presidência, apoie @rogeriosmarinho que tem mais chance para vencer??
Sua candidatura não soma, apenas fortalece quem está prejudicando o Senado.
— ??IaraGB (@iaragb) January 16, 2023
Patriotas vamos divulgar sem dó. Pacheco não pode continuar na Presidência do Senado. Essa é nossa última chance, de mudar o destino do nosso País, de forma democrática.#PachecoNÃO #PachecoNao#PachecoNuncaMais#EleNao
Cobre seu senador https://t.co/3WHuS1GDrB pic.twitter.com/pjJ0wSsxye
— SBFELIX (@sbarrosofelix) January 16, 2023
Uma eventual recondução de Pacheco à presidência do Senado demonstrará que os senadores aceitarão o encabrestamento via STF e a destruição do Brasil para transformar o país numa fazenda comunista.
— Marthon Mendes (@marthonmendes) January 16, 2023
Na Câmara, o PT decidiu apoiar a reeleição de Arthur Lira (Progressistas-AL), atual presidente da Casa, numa tentativa de construir estabilidade política. O partido quer evitar repetir o que considerou como erro na disputa da Câmara, em 2015, quando a então presidente Dilma Rousseff (PT) resolveu bancar o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) contra Eduardo Cunha (MDB-RJ). Após vencer, Cunha virou inimigo de Dilma e, no fim daquele mesmo ano, autorizou a abertura do pedido de impeachment contra ela.
Paralelamente, a federação PSOL-Rede avalia lançar um nome para concorrer com Lira pela presidência da Casa. O deputado mais provável é Guilherme Boulos (PSOL-SP), mas as siglas ainda não têm uma definição. Segundo o presidente do PSOL, Juliano Medeiros, a bancada deve se reunir para discutir a possibilidade, mas a reunião ainda não tem data marcada.
Durante a última legislatura, Lira consolidou sua rede de apoios no Congresso com o orçamento secreto, esquema de compra de apoio político do presidente Jair Bolsonaro, revelado pelo Estadão. O mecanismo foi criticado várias vezes por Lula na campanha eleitoral. O petista chegou a dizer que Lira atuava como "imperador".