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Política

Oposição pede impeachment de Gilmar por incluir Zema no inquérito das fake news

22 abr 2026 - 18h38
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O líder da oposição na Câmara, deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), apresentou nesta quarta-feira, 22, pedido de impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, por solicitar a inclusão do ex-governador Romeu Zema (Novo) no inquérito das fake news.

Como mostrou o Estadão, o pedido de impeachment de Gilmar já vinha sendo costurado pela oposição desde que houve uma escalada no embate entre o ministro e Zema, que figura como pré-candidato à Presidência.

O ex-governador participou da entrevista em que foi anunciado o pedido de impeachment ao lado do líder da oposição, que em diversos momentos o citou, em tom de brincadeira, como candidato a vice na chapa presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL- RJ).

Gilberto Silva minimizou a ausência de Flávio na coletiva e disse que o senador cumpre outros compromissos como pré-candidato. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro tem tentado se vender como uma figura moderada e, com isso, tem ficado de fora de embates da oposição com o STF.

Durante a entrevista, Zema disse que o País tem visto "as mais altas autoridades envolvidas com esse que pode ser considerado o maior criminoso da história do País", em referência a Daniel Vorcaro. O ex-governador, no entanto, não fez menções diretas a Gilmar.

O estopim do desentendimento entre o ministro e o político mineiro foi a publicação de um vídeo nas redes sociais de Zema. No vídeo, bonecos com as vozes montadas dos minstros conversam sobre o caso Master. O boneco de Dias Toffoli telefona para Gilmar e pede a ele que anule as quebras de sigilo de sua empresa, aprovada na CPI do Crime Organizado do Senado.

Com um diálogo marcado por ironias e caricaturas, Gilmar responde que anularia as quebras e pede em troca uma cortesia no resort Tayayá, no qual Toffoli possuía participação acionária.

Nesta segunda-feira, 20, após o pedido feito por Gilmar Mendes, Zema republicou o vídeo em sua conta no X, com a seguinte mensagem: "Se um teatro de fantoches é visto como ameaça por Gilmar e Moraes é sinal de que a carapuça serviu. Os ministros não gostaram da nossa série "os intocáveis". Beleza. Mas me processar por isso? O humor é usado pra criticar o poder desde que o mundo é mundo".

Além do pedido de impeachment, a oposição apresentou queixas-crimes contra Gilmar em razão do episódio e contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet, por omissão. Outra medida tomada pelo grupo foi o envio de um ofício ao presidente do STF, Édson Fachin, para que convença o ministro Alexandre de Moraes a encerrar o inquérito das fake news.

O pedido de impeachment de Gilmar se soma a outras propostas apresentadas pela oposição contra outros ministros do STF que seguem engavetadas pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Questionado pelo Estadão se o pedido seria meramente simbólico em solidariedade a Zema, Gilberto Silva respondeu que não, mas que também não há maioria oposicionista no Senado para dar encaminhamento à proposta.

"A cada dia que passa a situação dos ministros da Suprema Corte piora. Água mole em pedra dura tanto bate até que fura. Serão apresentados quantos pedidos (de impeachment) forem necessários", respondeu.

Pedido de impeachment do ministro da Justiça por expulsão de delegado dos EUA

O depurado federal Hélio Lopes (PL-RJ) apresentou nesta quarta-feira, 22, queixa-crime e pedido de impeachment do ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, por conivência ou omissão no caso do delegado da Polícia Federal (PF) que retornou dos Estados Unidos sob acusação de atuar de maneira irregular em procedimentos de extradição.

O parlamentar e outros membros da oposição miram em Lima e Silva com o objetivo de atingir o diretor-geral da PF, Andrei Passos. A lei de impeachment impede que deputados proponham o impedimento do chefe da corporação.

Lopes e outros deputados de oposição, como Marcel Van Hattem (Novo-RS), estendem ao diretor-geral da PF da acusação do governo dos EUA de que houve atuação irregular no caso do ex-deputado federal Alexandre Ramagem, que chegou a ser preso pelo ICE e quase foi deportado.

Van Hattem chega a acusar Passos de ter agido de forma ilegal neste caso e mentido sobre ter cooperado com a PF para deportar Ramagem.

Em nota oficial na época da prisão, a Polícia Federal alegou ter se tratado de uma cooperação policial internacional entre autoridades dos dois países.

"A prisão decorreu de cooperação policial internacional entre a Polícia Federal e autoridades policiais dos EUA", diz a nota da PF.

Estadão
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