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Política

O que é o 'princípio da reciprocidade' que a PF usou para barrar agente dos EUA após caso Ramagem

Medida foi tomada após governo americano determinar que delegado brasileiro deixasse os EUA por 'contornar pedidos formais de extradição'

23 abr 2026 - 11h39
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O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, afirmou na quarta-feira, 22, que retirou as credenciais de trabalho de um agente de imigração dos Estados Unidos que atuava na sede da PF em Brasília, com base no "princípio da reciprocidade".

A medida foi tomada após o governo americano determinar que o delegado Marcelo Ivo deixasse os EUA por "contornar pedidos formais de extradição". Ivo atuou na prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem, que foi detido pelo Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira dos EUA (ICE) em 13 de abril e solto dois dias depois. Ramagem foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado e fugiu para os EUA no ano passado.

O princípio da reciprocidade não é uma lei, mas uma prática consolidada nas relações internacionais, segundo a qual um país pode aplicar ao outro o mesmo tratamento que recebe. O objetivo é evitar que apenas um dos lados se beneficie das regras.

O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que o Brasil usou o “princípio da reciprocidade” para retirar credenciais de agente americano.
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que o Brasil usou o “princípio da reciprocidade” para retirar credenciais de agente americano.
Foto: José Cruz/Agência Brasil / Estadão

Esse princípio pode ser aplicado em diversas situações, como na exigência de vistos para entrada no país e na cobrança de taxas.

Rodrigues disse que a decisão de retirar as credenciais do servidor americano foi tomada "com pesar".

"O princípio da reciprocidade, como regra geral, rege as relações internacionais. E nós, policiais, temos esse acordo com as agências. Na medida em que uma agência retira as credenciais do meu policial, eu retiro as credenciais do policial norte-americano que está aqui", disse o diretor-geral da PF em entrevista à GloboNews.

O Ministério das Relações Exteriores afirmou que o governo brasileiro adotou reciprocidade "imediata" no caso e que a decisão foi comunicada à diplomata americana Kimberly Kelly, ministra-conselheira da Embaixada dos EUA no Brasil, na terça-feira, 21.

O Itamaraty considerou que o governo americano agiu de forma "sumária" contra o delegado da PF em Miami, sem qualquer tentativa de diálogo sobre o caso.

No mês passado, o governo brasileiro cancelou o visto diplomático do consultor sênior do Departamento de Estado dos EUA, Darren Beattie, que viria ao País e se reuniria com o ex-presidente Jair Bolsonaro na cadeia. O Itamaraty afirmou que a decisão foi tomada porque Beattie teria omitido o real motivo da visita e planejado encontros de caráter político.

Na época, ao comentar o caso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que autoridades brasileiras também tiveram vistos revogados pelo governo americano no ano passado e não puderam ir a Nova York para a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), incluindo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Estadão
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