Moraes rebate defesa de Bolsonaro por postagens de terceiros: 'JUSTIÇA É CEGA MAS NÃO É TOLA!!!!!'
Ministro do STF afirma que 'não há dúvidas' de que as redes sociais são 'um dos mais graves e perigosos instrumentos de corrosão da democracia'; trecho da manifestação continha erro e foi corrigido por Alexandre de Moraes em nova versão
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), rebateu nesta quinta-feira, 24, a manifestação da defesa de Jair Bolsonaro (PL), que tentou isentar o ex-presidente por postagens e comunicação feitas nas redes sociais de terceiros.
"Como diversas vezes salientei na Presidência do TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL, a JUSTIÇA É CEGA MAIS NÃO É TOLA!!!!!", escreveu Moraes na manifestação, utilizando o advérbio de intensidade "mais" em vez da conjunção adversativa "mas".
Pouco depois, uma nova versão do documento foi publicada, com a correção: "Como diversas vezes salientei na Presidência do TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL, a JUSTIÇA É CEGA MAS NÃO É TOLA!!!!!".
No X (antigo Twitter), o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) ironizou o erro. "Estou proibido de postar falas de meu pai, "MAIS" posso postar as decisões do Alexandre de Moraes ?????????????????????????????????????????????????????????", escreveu.
Estou proibido de postar falas de meu pai, "MAIS" posso postar as decisões do Alexandre de Moraes ????????????????????????????????????????????????????????? https://t.co/rp1BdfqAij
— Eduardo Bolsonaro (@BolsonaroSP) July 24, 2025
A defesa de Bolsonaro questionou, na última terça-feira, 22, se ele poderia dar entrevistas, desde que ele não publicasse o conteúdo em redes sociais, já que uma das medidas cautelares impostas ao ex-presidente foi a proibição do uso desses meios de comunicação.
"Em momento algum Jair Messias Bolsonaro foi proibido de conceder entrevistas ou proferir discursos em eventos públicos ou privados, respeitados os horários estabelecidos nas medidas restritivas", respondeu Moraes.
O ministro reiterou que, como medida cautelar imposta ao ex-presidente na última semana, "não será admitida a utilização de subterfúgios para a manutenção da prática de atividades criminosas, com a instrumentalização de entrevistas ou discursos públicos como 'material pré-fabricado' para posterior postagens nas redes sociais de terceiros previamente coordenados".
Moraes justifica que a medida foi determinada porque "não há dúvidas, e as inúmeras condenações criminais proferidas pelo STF em relação à Tentativa de Golpe de Estado no dia 8/1/2023 confirmam, que a instrumentalização das redes sociais, por meio da atuação de verdadeiras 'milícias digitais', transformou-se em um dos mais graves e perigosos instrumentos de corrosão da Democracia".