Ministro do TSE que teve proximidade com ex-presidente vota a favor de sua condenação em julgamento
Durante a campanha eleitoral, André Ramos Tavares postou foto ao lado do então chefe do Executivo em evento festivo com advogados do PL
O ministro André Ramos Tavares, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), aliado de Alexandre de Moraes, proferiu seu voto nesta quinta-feira, 29, a favor da condenação de Jair Bolsonaro (PL) por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação. Com o voto de Tavares, o placar do julgamento encontra-se em 3 a 1 pela condenação do ex-chefe do Executivo.
O advogado Ramos Tavares foi indicado por Bolsonaro para assumir o cargo de ministro substituto no TSE em novembro do ano passado, após um impasse que durou 5 meses envolvendo a lista tríplice.
Durante a campanha eleitoral de 2022, Ramos Tavares participou de um evento festivo com advogados da campanha de Bolsonaro em Brasília, onde teve a oportunidade de tirar uma foto ao lado do então presidente da República.
Após tietar o ex-chefe do Executivo, Tavares compartilhou o registro em suas redes sociais. A publicação da foto gerou desconforto na época, uma vez que havia o potencial de Ramos Tavares ter que julgar Bolsonaro, o que acabou acontecendo.
Tavares também serviu como membro da Comissão de Ética Pública da Presidência durante o período de 2018 a 2021.
Aliado de Moraes
O jurista foi oficialmente nomeado como ministro titular do TSE em maio deste ano, por indicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após uma estratégia de Alexandre de Moraes para aumentar sua influência sobre as decisões da Corte mesmo depois de deixar a presidência do tribunal, em junho de 2024.
Antes de se juntar ao TSE, Ramos Tavares já havia preparado pareceres encomendados pelo PT, nos quais defendeu Dilma Rousseff e Lula em momentos críticos, como informado pela coluna da Malu Gaspar, do jornal O Globo.
Tavares também expressou sua oposição à proposta de redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, que é uma das principais bandeiras políticas de Bolsonaro.