Ministério Público do Trabalho pede indenização de R$ 30 milhões a dono da Havan por assédio eleitoral
De acordo com o órgão, Luciano Hang cometeu assédio eleitoral ao dizer que funcionários teriam que arrumar um 'subemprego'
Ministério Público do Trabalho processa Luciano Hang por assédio eleitoral ao pressionar funcionários da Havan, vinculando voto ao fim da escala 6x1, e solicita indenização de R$ 30 milhões por danos morais coletivos e individuais.
O MPT (Ministério Público do Trabalho) protocolou uma ação civil pública contra a Havan e o empresário Luciano Hang por uma fala dirigida aos empregados da unidade de Caldas Novas (GO). Na ocasião, Hang promoveu assédio eleitoral ao abordar o fim da escala de trabalho 6x1.
"Eles querem ganhar o voto de vocês. E depois, sabe o que vai acontecer? No caso da Havan, o custo da mão de obra vai crescer 15%", observou ele no dia 29 de agosto. Na sequência, o empresário classificou o fim da escala 6x1 como estelionato eleitoral e afirmou que os empregados irão perder poder de compra e vão precisar conseguir um subemprego.
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"Como vocês não vão poder trabalhar mais de cinco dias aqui na Havan e vão ficar com o mesmo salário, e o salário de vocês vai comprar menos produtos, vocês vão ter que arranjar outro emprego. Um subemprego. Um emprego que não é cadastrado como nós aqui, que tem tudo certinho".
De acordo com o MPT a fala de Hang faz uma associação direta entre as eleições e um suposto prejuízo pessoal aos empregados que votarem em candidato que apoiam o fim da escala 6x1.
"O que separa o exercício legítimo da liberdade de expressão do ilícito não é o conteúdo da opinião, e sim a presença do elemento coercitivo e a assimetria de poder inerente à relação de emprego. Dirigentes representam a empresa institucionalmente e suas manifestações naturalmente são lidas como orientação, pressão ou favorecimento", afirma o MPT na ação.
O MPT deseja que Hang grave um vídeo se retratando em até 48h e garanta que os funcionários serão liberados a votar, tanto no primeiro, quanto no segundo turno, se houver.
A ação foi ajuizada na Justiça do Trabalho em Goiânia na quarta-feira, 16. O órgão solicita também indenização de R$ 30 milhões por dano moral coletivo, além do pagamento de danos morais individuais equivalentes a, no mínimo, 20 vezes o último salário de cada empregado.
O Terra entrou em contato com a assessoria da Havan, mas não obteve retorno até a publicação deste texto. O espaço permanece aberto.
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