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Política

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Milton Leite se entrega à polícia; passagem secreta foi encontrada mais cedo na casa do ex-vereador

Autoridades investigam possível vazamento da operação; R$ 280 mil e US$ 89 mil em espécie foram encontrados em mala em endereço ligado ao político em Sorocaba

18 set 2026 - 16h11
(atualizado às 16h14)
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Resumo
O ex-vereador Milton Leite entregou-se à polícia nesta sexta-feira após ter a prisão temporária decretada na Operação Vectura Corrupta, que apura a infiltração do PCC no transporte público de São Paulo. Apontado como operador de empresas ligadas à facção, ele era considerado foragido. Horas antes da rendição, policiais acharam uma passagem secreta em sua casa em Sorocaba, além de apreenderem cerca de R$ 738 mil em espécie. A defesa nega qualquer ligação de Leite com as empresas investigadas.

O ex-vereador Milton Leite se entregou à polícia na tarde desta sexta-feira, 18. Mais cedo, a Polícia Civil e o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) encontraram uma "passagem secreta" na casa do político em Sorocaba, no interior paulista.

Leite é alvo de um mandado de prisão temporária no âmbito da Operação Vectura Corrupta, deflagrada pela Polícia Civil e pelo MP-SP na quinta-feira, 17, para apurar a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte público da capital paulista.

Segundo o órgão, foram encontrados indícios na residência de Leite, como o fato de os aparelhos de ar-condicionado ainda estarem ligados, de que ele deixou o local momentos antes da chegada dos policiais, na quinta-feira, 17.

Em entrevista coletiva após a ação, o delegado Fabrício Intelizano, da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Mogi das Cruzes, afirmou que a possibilidade de ter ocorrido um vazamento seria investigada.

"A gente vai apurar isso [o vazamento] no curso da investigação, mas a gente não pode afirmar de maneira categórica. Tanto que a maioria dos alvos foi encontrada. Se tivesse ocorrido de fato qualquer tipo de situação assim, obviamente o resultado da operação teria sido outro. Mas isso a gente vai apurar ao longo da investigação e verificar se houve essa situação, mas até então, a gente não tem essa confirmação", afirmou.

Milton Leite é ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo. Nesta quinta-feira, 17, se tornou alvo de mandado de prisão
Milton Leite é ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo. Nesta quinta-feira, 17, se tornou alvo de mandado de prisão
Foto: Reprodução/Instagram/@miltonleite.sp

Dos 16 mandados de prisão temporária autorizados pela Justiça, dez foram cumpridos até o momento. Além de Leite, outras cinco pessoas, incluindo o presidente do Água Santa, Paulo Sirqueira Korek Farias, também estão foragidas.

Na manhã desta sexta-feira, a Polícia Civil e o MP-SP foram até um endereço em Sorocaba à procura de Leite, mas não o encontraram. No local, no entanto, as autoridades identificaram uma "passagem secreta" entre dois imóveis. Um pertence a Leite, e o outro seria de um assessor dele.

Também foram apreendidos cerca de R$ 280 mil e US$ 89 mil (cerca de R$ 458,5 mil na cotação atual) em espécie, que estavam em uma mala. Não há informações sobre a origem dos valores. A ação teve o apoio da Polícia Militar.

Por volta das 7h de quinta-feira, Leite afirmou que não estava foragido e que se apresentaria às autoridades em até 24 horas. No entanto, isso não se concretizou.

Procurados pela reportagem nesta sexta-feira, o ex-vereador e seu escritório não responderam. O espaço segue aberto.

Leite foi vereador por sete mandatos consecutivos e presidiu a Câmara Municipal por seis anos. Ele deixou a Câmara ao final de 2024, após 28 anos no Legislativo. Mesmo sem mandato, continuou atuando e tendo influência na política.

A operação

A ação de quinta-feira é um desdobramento da Operação Dercúrio, deflagrada em agosto de 2024 contra um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas operado pelo PCC. Na época, a investigação revelou uma complexa rede de comunicação usada pela facção para manter contato entre integrantes da "Sintonia Restrita" e da "Sintonia dos Gravatas", além de projetos para lançar faccionados como candidatos nas eleições municipais.

A Justiça autorizou o mandado de prisão temporária contra Leite sob a justificativa de que ele é "citado nominalmente por diversas vezes como responsável direto pela operação de algumas das empresas controladas pelo PCC".

"Somado a isso, há declarações de policiais militares, em procedimento que tramita no Tribunal de Justiça Militar, de que ele seria o dono de fato da empresa Transwolff", disse o desembargador Sergio Ribas em sua decisão.

A Transwolff é uma empresa de ônibus que foi alvo da Operação Fim da Linha, do MP-SP, em 2024. A companhia foi investigada sob suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC e teve o contrato com a Prefeitura de São Paulo cancelado. A empresa nega ligação com a facção.

A defesa da Transwolff afirmou que Leite nunca teve participação societária na empresa, nem atuou na gestão ou deu ordens a funcionários. Segundo os advogados, qualquer afirmação nesse sentido é equivocada e não corresponde à realidade.

Estadão
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