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Política

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'Maria Corina faz isso há muito tempo', diz Marinho sobre Flávio liderar oposição do exterior

Coordenador da campanha do candidato derrotado diz que foi pego de surpresa pela notícia de que o aliado tinha deixado o País, mas que compreende decisão diante de cenário de perseguição

27 out 2026 - 18h39
(atualizado às 19h45)
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Resumo
Após ser derrotado por Lula na eleição presidencial, Flávio Bolsonaro viajou aos Estados Unidos com a família, descumprindo ordem judicial de entrega do passaporte no âmbito de apuração sobre lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O senador Rogério Marinho afirmou ter sido pego de surpresa pela viagem, que vê indícios de perseguição contra o aliado e defendeu que Flávio pode liderar a oposição ao governo mesmo estando no exterior, citando o exemplo da venezuelana María Corina.

BRASÍLIA - O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, afirmou nesta terça-feira, 27, não ter sido informado sobre a viagem do aliado ao exterior e que ele poderá liderar a oposição de fora do Brasil.

Flávio fugiu do País rumo aos Estados Unidos. A Polícia Federal (PF) apura o caso, uma vez que ele estava proibido por determinação judicial de sair do território nacional.

O senador Rogerio Marinho (PL-RN) disse que Flávio Bolsonaro poderá liderar a oposição do exterior
O senador Rogerio Marinho (PL-RN) disse que Flávio Bolsonaro poderá liderar a oposição do exterior
Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado / Estadão

"A Maria Corina (opositora do governo chavista na Venezuela) faz isso há muito tempo" declarou Marinho após ser questionado pelo Estadão se Flávio será capaz de liderar a oposição diretamente de um país estrangeiro. Ele saía de uma reunião com o presidente Valdemar Costa Neto na sede do PL, em Brasília.

A líder da oposição venezuelana e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, ficou 10 meses no exílio. Ela reapareceu na Venezuela neste domingo, 25. É a primeira vez que ela regressa ao país desde dezembro, cerca de um mês antes de os militares dos Estados Unidos deporem o então presidente, Nicolás Maduro (que está preso em território americano). Corina anunciou a chegada nas redes sociais. "Estou aqui. Com vocês", disse.

Em vídeo publicado na segunda-feira, um dia após ser derrotado pelo presidente Lula na disputa eleitoral, Flávio pediu a cassação da chapa do PT por abuso de poder e afirmou que iria liderar a oposição ao governo Lula.

Marinho não confirmou à imprensa o paradeiro de Flávio - mencionou que "pode ter tido um deslocamento do senador Flávio para um outro país -, afirmou que foi pego de surpresa pela notícia e que o partido ainda não soube, por parte de Flávio ou de seus advogados, o que houve.

"Nós estamos surpresos, porque ontem conversamos sobre a necessidade de que Flávio, com 60 milhões de votos que teve, assumisse esse papel de liderança da oposição", afirmou o senador.

Ele disse ter enviado uma mensagem de texto a Flávio, por volta das 8h desta terça-feira, assim que a imprensa começou a indagá-lo sobre a possível viagem do candidato derrotado. E que o aliado respondeu que tiraria um tempo para esfriar a cabeça.

O senador afirmou ser "muito estranho numa democracia" que um candidato à Presidência seja objeto de uma medida cautelar para a retenção de seus passaportes minutos após o resultado de uma eleição.

"Me parece a preparação para uma coisa mais persecutória. Até compreendo caso Flávio tenha saído do País com sua família. Eu disse que compreendo, não que concordo, porque eu não fui informado, então não pude dizer sim ou não", declarou.

Por fim, Marinho disse ter se reunido com Valdemar nesta tarde para conversar sobre as eleições aos comandos da Câmara e do Senado no ano que vem. Questionado sobre a federação União-PP ter manifestado apoio à reeleição de Davi Alcolumbre na Presidência do Senado, ele disse que "a posição deles não se refletem na bancada".

Mais cedo, o senador Efraim Filho (PL-PB) disse ao Estadão que a pré-candidatura de Marinho à Presidência do Senado está mantida e que o partido tem votos suficientes para elegê-lo.

Fuga aos Estados Unidos

Flávio chegou nesta terça-feira, 27, aos Estados Unidos com sua mulher e duas filhas. A informação divulgada pela CNN e confirmada ao Estadão/Broadcast por integrantes do governo americano.

Mais cedo, a Polícia Federal comunicou ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes que Flávio descumpriu a ordem judicial para a entrega dos seus passaportes. Por isso, a PF cancelou os passaportes dele em seu sistema de controle.

Flávio Bolsonaro foi intimado na segunda-feira, 26, a entregar seus passaportes em um prazo de 24 horas. Esse prazo venceu no final da manhã desta terça-feira, 27, mas ele não compareceu para cumprir a ordem. Apesar do descumprimento, não é possível considerá-lo foragido, porque não há mandado de prisão contra o senador.

A decisão foi tomada no âmbito de uma investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O caso foi revelado pelo Estadão em 18 de outubro, uma semana antes do segundo turno. Flávio negou irregularidades e classificou a medida como uma tentativa de intimidação.

O Departamento de Estado dos EUA informou que concederá vistos a Flávio Bolsonaro e sua família. O candidato do PL não reconheceu a derrota nas urnas ao presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A vitória de Lula foi reconhecida pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques. O petista foi reeleito com 51,78% dos votos válidos, ante 48,22% de Flávio - por uma diferença de 4,4 milhões de votos.

Estadão
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