Manifesto do PT exclui polêmicas e foca na comparação de Lula com Bolsonaro
Documento coloca como central a aliança do PT com setores do centro e da direita
BRASÍLIA - A versão final do manifesto que o Partido dos Trabalhadores (PT) colocará em votação no congresso do partido neste fim de semana excluiu polêmicas contidas na versão inicial e focará na comparação entre os governos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Diferente da sugestão inicial de programa de governo, ao qual o Estadão/Broadcast teve acesso, a versão final faz uma defesa mais enfática do atual governo e uma comparação com a gestão passada. Em um dos trechos, o manifesto dirá que "o presidente Lula se mostrou, neste mandato, como o líder mais preparado possível para resolver crises e situações de emergência".
Essa mudança também é percebida de forma clara com o número de menções a Bolsonaro. No primeiro documento, o ex-presidente nem sequer era mencionado. O principal foco era na análise do cenário político, econômico e social no Brasil e do cenário geopolítico, além de enumerar medidas importantes.
A versão inicial falava em mudar a lei da autonomia do Banco Central para estabelecer mandatos concomitantes do presidente da instituição e do presidente da República, além de defender a constitucionalização do aumento do salário mínimo e exclusão disso do arcabouço fiscal.
Na versão final, o nome "Bolsonaro" é citado 15 vezes. Em um dos momentos, por exemplo, o manifesto relembra um dos calcanhares de Aquiles de Bolsonaro na campanha de 2022 (a forma como o governo enfrentou a pandemia) e fala que "a atuação de Lula é oposta a de Bolsonaro, que diante da pandemia permitiu que o País chegasse à marca de 700 mil mortos, e foi considerada a pior gestão do mundo durante a Covid-19".
Outro ponto que foi acrescentado no manifesto é a defesa de uma "permanente transição geracional" no próprio partido, com limite no número de mandatos (no máximo dois no mesmo cargo e três no total de participação na mesma instância). A versão final também fala em garantir "no mínimo 50% de mulheres nos espaços de deliberação". A versão inicial do documento não falava nem em garantir a renovação interna no partido, nem na equidade de gênero nos postos de decisão da legenda.
O manifesto final do PT que será votado pelos integrantes do partido neste fim de semana é enxuto. As 61 páginas da sugestão de programa partidário resultaram em sete páginas de manifesto.
A linha de três eixos centrais do projeto nacional de desenvolvimento - reconstrução do papel do Estado como indutor do desenvolvimento (marca da esquerda), retomada do crescimento econômico com distribuição de renda (marca dos governos petistas) e transição produtiva, tecnológica e ambiental (adotada com mais ênfase a partir da campanha de 2022) - foi mantida. As seis reformas tidas como "decisivas" também permanecem: política, tributária, do sistema financeiro, tecnológica, do Judiciário e administrativa.
Assim como a sugestão de programa do partido, o manifesto também coloca como central a aliança do PT com setores do centro e da direita. Diferente da versão inicial, que falava de forma mais explícita em buscar setores da "direita liberal", o manifesto falará que é necessário "consolidar um amplo processo de concertação social" com o "setor produtivo e o empresariado comprometido com a nação".
"Faz-se necessário, portanto, consolidar um amplo processo de concertação social que supere a fragmentação e institua um novo pacto pelo desenvolvimento nacional. Este movimento deve reunir o setor produtivo e o empresariado comprometidos com a nação, a classe trabalhadora, o sindicalismo e os movimentos populares em uma coalizão que transcenda a defesa institucional da democracia", afirma.
O manifesto também enumerará uma série de medidas para garantir um "projeto de País soberano", como "a universalização da escola em tempo integral e do direito à creche, à segurança alimentar e ao atendimento à saúde; a segurança pública, assegurando o direito de ir e vir; o direito à mobilidade urbana, com a tarifa zero; os direitos à cultura, ao esporte e ao lazer; o direito à assistência social; direito à igualdade de gênero, étnico-racial e regional".
Ainda sob o slogan da defesa da "soberania" do País, o manifesto também defende "a valorização dos agentes desta transformação, a classe trabalhadora brasileira", colocando como pontos fundamentais "o direito ao salário digno" e ao emprego, assim como o descanso.
"Neste sentido, a luta histórica pela redução de jornada de trabalho, materializada pela luta pelo fim da jornada 6x1, constituem também o núcleo de um projeto de País soberano", afirma.
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