Lula tenta se desvincular do STF: 'Estamos carregando nas costas a promiscuidade da Suprema Corte'
Presidente tenta se desvencilhar de ligação com ministros acusados de envolvimento com Banco Master
Após ficar atrás de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, o presidente Lula criticou o STF, afirmando carregar a 'promiscuidade' da Corte e defendendo reformas no Judiciário para atrair votos. Decepcionado com a votação e a abstenção, o petista prometeu endurecer o discurso na segurança pública, criticou as propostas fiscais do adversário e demonstrou confiança na virada para o segundo turno, citando seu histórico eleitoral de 2006 ao reunir aliados para traçar novas estratégias.
BRASÍLIA - Com menos votos do que Flávio Bolsonaro no primeiro turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, escolheu seu primeiro alvo para buscar votos: o Supremo Tribunal Federal. Em discurso após se reunir com aliados nesta segunda-feira, 5, aumentou o tom das críticas ao STF.
"Estamos carregando nas costas uma coisa muito grave que é a promiscuidade que ficou estabelecida na Suprema Corte", declarou o presidente, numa referência às acusações de envolvimento de ministros com o banqueiro Daniel Vorcaro. Lula voltou a defender que haja uma reforma do Judiciário com a sociedade discutindo mandato e forma de indicação de ministro para o STF.
Entre os aliados do petista há convicção de que Lula foi associado ao ministro Alexandre de Moraes e que as denúncias de envolvimento do magistrado com Vorcaro afetaram a campanha eleitoral.
O presidente declarou que ficou decepcionado com o resultado do primeiro turno das eleições neste domingo.
"Vocês pensam que eu não fiquei decepcionado? Toda eleição eu fico decepcionado, porque todas eu quero vencer no primeiro turno", declarou o presidente.
Com 100% das urnas apuradas, Flávio teve 56.104.503 votos (47,03% dos votos válidos), enquanto Lula terminou com 53.879.538 votos (45,16% dos votos válidos). O petista teve 3.379.966 votos a menos do que no primeiro turno de 2022.
O presidente também reclamou da alta abstenção dos eleitores no voto para escolher o Presidente da República. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 33 milhões deixaram de ir às urnas, ou seja, 21,08% do eleitorado. "Será que não gostam dos candidatos?", questionou o presidente.
O presidente questionou as propostas de corte fiscal apresentadas pela campanha de Flávio. "Toda vez nesse País que se fala em dureza fiscal, o que está em jogo é a política de inclusão social", declarou.
Ao falar sobre a segurança pública, tema em que Flávio se aproveitou mais durante a campanha, Lula sugeriu uma mudança de tom nos discursos sobre o tema.
"Nós vamos ter que dizer em alto e bom som, agora e depois que a gente aprovar a PEC. A segurança pública tem que proteger o cidadão porque o bandido tem que ir para a cadeia e o território tem que ficar livre para a sociedade se manifestar", declarou.
Lula disse que não vê razões para não ser eleito presidente no segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).
"Não há razão econômica, social e política", disse o presidente. Lula também destacou que, em 2006, quando ele disputou o segundo turno contra o então ex-governador de São Paulo e agora vice-presidente Geraldo Alckmin - então no PSDB -, Alckmin perdeu votos enquanto que ele conquistou.
"É importante lembrar que meu parceiro Alckmin, em 2006, eu fui para o segundo turno com Alckmin e aconteceu um fenômeno: eu cresci 12 milhões de votos e o Alckmin perdeu quatro milhões de votos", disse o presidente.
Lula se reuniu nesta segunda com ministros, senadores, presidentes de partidos e políticos aliados eleitos neste domingo, 4, para traçar a estratégia do segundo turno. O encontro foi no Hotel San Marco, no centro de Brasília.
"Valeu a pena a campanha que vocês fizeram. (...) Se você perde e deixa uma marca, a derrota pode significar a vitória. Uma campanha bem feita que vocês fizeram, pode ficar certo que deixou uma marca profunda", declarou Lula aos candidatos.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.