Lula se reúne com Moraes, diretor da PF e chefe do BC após STF abrir inquérito sobre vazamentos
Assunto oficial da reunião foi o combate ao crime organizado; foi o primeiro encontro com a presença do novo ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva
BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu, no fim da manhã desta quinta-feira, 15, com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
O encontro ocorreu um dia depois de Moraes ter aberto de ofício um inquérito para investigar se a Receita Federal e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) quebraram de forma irregular o sigilo fiscal de ministros da Corte e familiares.
O assunto oficial da reunião, que durou duas horas, foi o combate ao crime organizado. Foi a primeira com o novo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva. Também foram chamados por Lula o vice-presidente Geraldo Alckmin e os ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira.
Após o encontro, Wellington César afirmou que Lula decidiu elevar o combate ao crime organizado a uma "ação de Estado". Ele disse que é preciso haver uma "sintonia absoluta" entre o Palácio do Planalto e o Ministério Público e o Poder Judiciário. O ministro não citou a abertura do inquérito durante a entrevista.
A Receita Federal é vinculada ao Ministério da Fazenda e o Coaf está na alçada da Polícia Federal. Os órgãos foram notificados sobre a abertura do inquérito pelo STF nesta quarta-feira, 14, conforme mostrou o Estadão.
Moraes tomou a atitude como presidente interino do Supremo. Ele assumiu o plantão da Corte na segunda-feira, 12. O tribunal retoma suas atividades em fevereiro.
A abertura da investigação não foi solicitada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), como é a praxe no tribunal. Integrante da PGR informou que o órgão vai acompanhar a apuração.
As suspeitas de que dados sigilosos foram vazados surgiu a partir da chegada do caso do Banco Master ao STF. A colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, revelou detalhes do contrato da mulher de Moraes, Viviane Barci de Moraes, para a defesa dos interesses do Banco Master e de Daniel Vorcaro no Banco Central, na Receita Federal e no Congresso Nacional.
De acordo com o contrato, assinado em janeiro de 2024, o escritório de Viviane receberia R$ 3,6 milhões por mês ao longo de três anos. Caso tivesse sido cumprido integralmente, o escritório Barci de Moraes Associados receberia R$ 129 milhões até o início de 2027.
No domingo, 18, o Estadão publicou que os irmãos do ministro Dias Toffoli cederam uma fatia milionária no resort Tayaya, em Ribeirão Claro, no Paraná, a um fundo da Reag Investimentos, investigada por abrigar teias de fundos ligados ao Banco Master e suspeitos de sonegação bilionária no mercado de combustíveis. Toffoli é o relator das investigações sobre o banco no STF.