Lula diz que TSE está extrapolando em decisões contra campanha dele e cobra Nunes Marques
Presidente e candidato à reeleição pelo PT afirmou que presidente da Corte Eleitoral não pode ter lado; Nunes Marques suspendeu canal de WhatsApp 'Exército do Lula' e decisão foi suspensa por corregedor eleitoral
O presidente Lula acusou o TSE de extrapolar em decisões contra sua campanha e cobrou neutralidade do presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, após impasses sobre a suspensão do canal "Exército do Lula" no WhatsApp. Confiante na vitória no segundo turno contra Flávio Bolsonaro, o petista criticou a postura do adversário, cobrou seu voto na PEC que reduz a jornada de trabalho, defendeu reajustes do salário mínimo frente à inflação dos alimentos e ressaltou a tolerância religiosa no país.
BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta segunda-feira, 12, que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) está extrapolando em decisões contrárias à campanha dele. A declaração foi feita diante da guerra de decisões na Corte Eleitoral envolvendo o canal "Exército do Lula", liderado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG).
"Eu acho que eles estão extrapolando em algumas decisões contra a minha campanha. Isso é visível e já foi denunciado. Eu não vou criar só o 'Exército do Lula', eu vou criar agora o Exército, a Marinha e a Aeronáutica do Lula no WhatsApp, porque é a forma mais barata da gente fazer campanha", afirmou o presidente a jornalistas no Palácio da Alvorada, após assistir a uma missa na capela do local em homenagem à Nossa Senhora Aparecida.
Neste domingo, 11, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, suspendeu o canal do WhatsApp. Na sequência, o corregedor-geral eleitoral Ricardo Villas Bôas Cueva suspendeu a decisão de Nunes Marques.
Após o vaivém, o presidente da Corte Eleitoral solicitou uma análise técnica para encontrar possíveis desinformações no grupo nesta segunda-feira. A área técnica do TSE não encontrou conteúdos falsos investigados pela Corte no canal "Exército do Lula", mas apontou riscos eleitorais.
Lula cobrou Nunes Marques a apontar as irregularidades do "Exército do Lula". O presidente também sugeriu que o presidente do TSE tem um lado político. O ministro foi indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF), em 2020, pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
"Para ele achar que tem que cortar, ele tem que mostrar qual é a ilegalidade, onde é que estamos transgredindo a lei. O que não pode é o presidente da Suprema Corte Eleitoral ter lado na política. O lado dele tem que ser o lado da igualdade de comportamento e procedimento. Todos têm que ter o mesmo direito diante da Justiça Eleitoral", disse o presidente.
Lula disse ainda estar confiante de que será reeleito presidente para um quarto mandato, depois de ficar atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno.
"Estamos preparando a vitória para o dia 25 de outubro. Estou convencido de que nós ganharemos essas eleições porque o povo brasileiro está desejoso de uma mudança com quem sabe fazer mudança, de mudança com quem já fez muitas coisas importantes para esse País, e o povo quer que a gente aprimore", afirmou.
Lula ainda fez uma comparação com o adversário, a partir de fotos de crianças que viralizaram nas redes sociais. Uma com uma arma foi associada a Flávio enquanto outra, com uma Constituição, à imagem de Lula. "Um lado acha que a solução é quem usa arma na mão e, do outro lado, nós que achamos que é a educação e a cultura", acrescentou.
Após participar nesta manhã de missa em homenagem a Nossa Senhora Aparecida, cuja data é celebrada nesta segunda, 12, Lula postou fotos da cerimônia no Alvorada. Ele estava acompanhado da primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, e do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT).
Hoje é dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. Um dia de fé, esperança e de renovar aquilo que temos de mais bonito: o amor e o cuidado com o próximo.
Que Nossa Senhora Aparecida abençoe nossas famílias e proteja nossas crianças. Que nunca falte comida na mesa, paz… pic.twitter.com/HlBDGG1EW1
— Lula (@LulaOficial) October 12, 2026
A jornalistas, Lula disse que a padroeira do Brasil é ofendida por alguns religiosos e que "ninguém é obrigado a ser da mesma religião". "Nossa Senhora Aparecida é ofendida por alguns religiosos que não querem respeitar a religião dos outros. Esse gesto é para poder mostrar que, em um país civilizado, harmônico e democrático, cada um segue a religião de ninguém, e a gente tem que respeitar. Ninguém é obrigado a ser da mesma religião", afirmou.
Questionado sobre o aumento do preço dos alimentos, o presidente disse que foram feitas reduções nos porcentuais em comparação com o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas que ele admite que os preços estão caros nos supermercados. Para solucionar o problema, prometeu continuar aumentando o salário mínimo de acordo com a inflação. "Queremos que o povo ganhe mais para comprar mais cesta básica", acrescentou.
Lula cobra posicionamento de Flávio sobre fim da 6x1
Lula voltou a dizer que a proposta de emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada semanal de trabalho será aprovada no Senado nesta semana, pela maioria dos parlamentares. O petista também cobrou novamente um posicionamento do opositor na corrida à Presidência no segundo turno, Flávio Bolsonaro, que é senador, sobre o tema.
"Eu sei que a oposição está tentando protelar para depois das eleições porque, depois das eleições, eles vão ter coragem de votar contra. Eu quero ver se eles têm coragem de votar contra. Eu quero que o PL mostre se vai votar contra ou a favor. O Flávio, como senador, que se posicione, que ele aperte o botão de sim ou não", disse.
O presidente afirmou que a PEC da Segurança Pública também deve começar a ser discutida na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), pelo presidente do colegiado, senador Otto Alencar (PSD-BA), nesta quarta-feira, 14. "Para o povo trabalhador e os territórios, a gente quer tranquilidade, paz e proteção. Agora, para os bandidos, a gente quer prisão", disse Lula repetindo o mote adotado pela campanha à reeleição neste segundo turno.
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