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Política

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Lula defende julgamento conjunto de Moraes e Mendonça no STF

Presidente acusou Mendonça de atuar com interesse político

17 set 2026 - 17h13
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Resumo
O presidente Lula defendeu que o STF julgue conjuntamente as acusações contra os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. Alinhado a Flávio Dino, Lula quer evitar julgamentos descompassados antes das eleições. Ele acusou Mendonça de agir politicamente ao direcionar investigações e afirmou que Moraes deve responder caso haja irregularidades no contrato milionário de sua esposa com um banqueiro, embora atribua os ataques ao colega à sua firme defesa da democracia contra o bolsonarismo.

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que o Supremo Tribunal Federal julgue de forma conjunta as acusações que pesam contra os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça.

O primeiro manteve contratos com o banqueiro Daniel Vorcaro que contratou a mulher do ministro por mais de R$ 130 milhões. Já Mendonça é acusado de ordenar investigação direcionada para atingir o colega por interesse eleitoral.

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu julgamento conjunto de Moraes e Mendonça no STF
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu julgamento conjunto de Moraes e Mendonça no STF
Foto: Taba Benedicto/ Estadão / Estadão

Pela primeira vez, Lula defendeu publicamente a junção das ações que julgam as condutas de Mendonça e Moraes. O STF está dividido sobre o tema, com o julgamento de uma questão de ordem sobre a união, proposta pelo decano Gilmar Mendes, dividindo a Corte.

"Se quiser fazer justiça na votação, tem que colocar todo mundo no mesmo dia. Vamos saber se telefonema é verdade, se (Luiz) Fux está envolvido, se (André) Mendonça está envolvido, se o presidente do TSE (Kassio Nunes Marques) está envolvido. O que não pode é julgar uma pessoa antes das eleições e o restante depois. Todo mundo já tem material, é só tornar público", declarou.

Lula fez referência a Fux e Nunes Marques, dois ministros que não estão com pedido de investigação contra si. Mas seus nomes também apareceram em conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro.

A declaração de Lula em entrevista à radio Itatiaia nesta quinta-feira, 17, coincide com a posição defendida pelo ministro Flávio Dino durante a sessão do STF na última terça-feira, 15. Naquela reunião, Dino apresentou uma questão de ordem para suspender o julgamento de pedido de abertura de investigação contra Moraes, alegando que as acusações contra Mendonça precisavam ser examinadas de forma conjunta.

Dino acabou pedindo vista no final de uma sessão tumultuada e com trocas de insultos e acusações entre os magistrados do STF. Na entrevista, Lula declarou acreditar que Flávio Dino devolverá o processo para julgamento no momento correto.

Lula afirmou ainda que o ministro André Mendonça está utilizando o cargo na Corte para "fazer política". "O André Mendonça estava utilizando o cargo dele de relator para fazer política, está provado. Estava fazendo denúncia seletiva, divulgando apenas aquilo que interessava para ele", declarou o presidente.

Ao mesmo tempo em que declarou que o ministro do STF Alexandre de Moraes deve "pagar" caso tenha cometido irregularidades envolvendo o contrato milionário do Banco Master com o escritório de advocacia da esposa, Viviane Barci de Moraes, Lula declarou que o magistrado sofre oposição do bolsonarismo por ter "defendido a democracia" durante as eleições de 2022 e o julgamento de tentativa de golpe de Estado.

"A briga da família Bolsonaro com o Alexandre de Moraes não é por causa do Banco Master, é pela prisão da família. É por causa do comportamento do Alexandre de Moraes que foi correto em defender a democracia desse País. Se o Alexandre de Moraes cometeu um erro no contrato, é uma decisão da Suprema Corte e ele terá que pagar", disse Lula.

Sobre a crise no Supremo, em que a Corte julga as condutas de Moraes e Mendonça, dividindo duas alas e paralisando o tribunal, Lula disse não acreditar que esse seja o único fator determinante para mudar os rumos da eleição presidencial.

O presidente voltou a defender uma reforma do Judiciário, afirmando que ministros do Supremo não podem querer ser ricos e estipulando a ideia de um mandato para os magistrados. "Tem que servir à sociedade e não se servir do cargo", afirmou. Lula disse também que a Corte precisa ser respeitado pela opinião pública, pois, caso contrário, não conseguirá passar a imagem de "guardiã da população".

Estadão
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