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Noruega critica governo Temer e pede "limpeza" com Lava Jato

23 jun 2017
12h17
atualizado às 14h08
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Durante visita do presidente Michel Temer à Noruega, a primeira-ministra do país, Erna Solberg, expressou nesta sexta-feira (23/06) preocupações com a corrupção e com a questão ambiental no Brasil.

Foto: Reuters

"Estamos muito preocupados com a Operação Lava Jato. É importante que haja uma limpeza e boas soluções", afirmou Solberg ao lado de Temer, em entrevista coletiva.

No âmbito da Lava Jato, o presidente foi acusado pela Polícia Federal (PF) nesta terça-feira de corrupção passiva na investigação envolvendo seu nome e de seu ex-assessor Rodrigo Rocha Loures.

Temer respondeu à premiê defendendo as instituições brasileiras. "O Executivo, o Legislativo e o Judiciário [trabalham] com liberdade extraordinária", disse.

Outro ponto criticado por Solberg foi a política ambiental do Brasil. O governo norueguês anunciou que, ainda neste ano, deve ser reduzida a contribuição do país ao Fundo Amazônia, que financia combate ao desmatamento no Brasil.

"Se os dados preliminares sobre o desmatamento no Brasil em 2016 se confirmarem, isso acarretará numa redução dos pagamentos de 2017", afirmou a primeira-ministra, lembrando que o financiamento "se baseia em resultados". "Esperamos que volte a tendência de preservação, pois o clima é o maior desafio para o mundo."

"Só Deus pode garantir redução do desmatamento"

A Noruega, de economia robusta em razão da produção de petróleo e gás natural, é o maior doador mundial para a proteção de florestas tropicais, do Brasil à Indonésia.

Desde 2008, o país investiu mais de 1,1 bilhão de dólares para ajudar o Brasil a preservar a Amazônia, que vive constante ameaça de madeireiros e da conversão das florestas em fazendas.

O ministro norueguês do Meio Ambiente, Vidar Hegelsen, disse que os pagamentos serão "reduzidos aproximadamente pela metade, talvez mais". Segundo o ministro, no ano passado a Noruega pagou 100 milhões de dólares ao Brasil.

Seu homólogo brasileiro, o ministro Sarney Filho, afirmou em Oslo que "só Deus pode garantir" a redução do desmatamento no Brasil. Ele, porém, assegurou que "todas as medidas para diminuir o desmatamento foram tomadas".

Foto: EFE

Protesto de ambientalistas

Dados de satélites apontam que o desmatamento no Brasil aumentou de 6,2 mil quilômetros quadrados para 8 mil quilômetros quadrados em 2016, ainda que esteja bem abaixo dos 19 mil quilômetros quadrados registrados em 2005.

Durante o encontro entre Temer e Solberg, ambientalistas realizaram um protesto em frente à residência da primeira-ministra em Oslo. Eles seguravam cartazes pedindo o fim da destruição de florestas e o respeitos aos direitos humanos e indígenas e à democracia.

O protesto contou com a presença de Sônia Guajajara, líder da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib). Ela denunciou o enfraquecimento das políticas ambientais no governo Temer, ressaltando que existem no Congresso "quase 20 medidas que flexibilizam o licenciamento ambiental", cujo objetivo seria "aumentar a expansão da pecuária e das monoculturas".

"Pior do que dizer que foi culpa do governo passado é dizer que foi de Deus", afirmou, mencionando a declaração de Sarney Filho.

Gafes de Temer

Além da repercussão negativa da fala do ministro brasileiro do Meio Ambiente, o presidente também cometeu gafes durante seu pronunciamento na entrevista coletiva ao lado da premiê norueguesa.

Com aparência cansada, Temer chamou o rei norueguês, Harald 5º, de "rei da Suécia", país vizinho à Noruega, e disse que iria visitar o "Parlamento brasileiro" ao se referir ao órgão legislativo do país escandinavo.

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