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Lula adia entrevista à espera de decisão sobre Moro

Ex-presidente havia convocado coletiva para às 13h30 desta terça, mas resolveu aguardar decisão do STF sobre pedido de suspeição do ex-juiz

9 mar 2021 12h56
| atualizado às 14h06
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A equipe de Luiz Inácio Lula da Silva decidiu transferir para quarta-feira, 10, a primeira coletiva de imprensa do ex-presidente após o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, anular todas as condenações do petista na Lava Jato, anunciada na segunda, 8. Nas redes sociais, afirmou que "a verdade prevalecerá".

Lula adia entrevista à espera de decisão sobre suspeição de Moro
Lula adia entrevista à espera de decisão sobre suspeição de Moro
Foto: Ricardo Stuckert / Latin America News Agency / Reuters

O adiamento se deve à decisão do ministro Gilmar Medes de incluir na pauta desta terça, 9, da Segunda Turma da Corte a análise do recurso sobre a suspeição do ex-juiz Sergio Moro nas ações contra Lula. O caso será julgado no mesmo horário em que estava prevista a coletiva de Lula em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.

A opção de apenas se manifestar publicamente após o julgamento de Moro foi informada pela conta oficial de Lula no Twitter. A nova entrevista está marcada para às 11h desta quarta.

Como mostrou o Estadão, ao declarar a incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba para análise de quatro ações contra Lula - triplex do Guarujá, sítio de Atibaia, sede do Instituto Lula e doações da Odebrecht para a entidade - , Fachin agiu para reduzir danos. Isso porque ao anular as condenações, e não a investigação sobre o esquema de corrupção na Petrobrás, o magistrado preservou o trabalho da força-tarefa e ainda tirou ou imaginou tirar o foco de Moro.

A "estratégia", no entanto, pode não se concretizar caso a Segunda Turma do STF julgue Moro suspeito nas ações relacionadas ao ex-presidente ainda nesta terça, 9. O julgamento que discute a suspeição de Moro teve início em 2018, quando Fachin e a ministra Cármen Lúcia votaram para negar o pedido da defesa de Lula. A análise foi interrompida por um pedido de vista (mais tempo para análise) de Gilmar Mendes, mas a paralisação do caso não impediu o magistrado de sinalizar que vai votar pela suspeição de Moro.

Nos bastidores, a avaliação é que o ministro 'segurou' o caso enquanto a revelação de novas mensagens hackeadas da Lava Jato vinham desgastando a forca-tarefa. A mesma posição é adotada por Ricardo Lewandowski, que liberou as conversas obtidas na Operação Spoofing a Lula. A dupla intensificou as críticas ao ex-juiz da Lava Jato depois que o site The Intercept Brasil começou a publicar trechos das mensagens privadas, obtidas pelos hackers, atribuídas a Moro e a procuradores de Curitiba.

O voto decisivo ficaria então a cargo do ministro Nunes Marques, indicado pelo presidente Jair Bolsonaro. Segundo o Estadão apurou, Kassio indicou nos bastidores que estaria inclinado a votar pela suspeição de Moro. Desde que chegou ao tribunal, em novembro do ano passado, ele tem se alinhado a Gilmar e a Lewandowski para impor derrotas à operação e atender aos interesses da classe política.

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Caso de Lula pode ficar com juiz que anulou provas da Lava Jato:

 

Estadão
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