Kassab diz que presidente eleito precisa ter 'coragem' para ajustes, 'inclusive no Judiciário'
Presidente do PSD prega pela escolha de um nome alternativo a Lula e FLávio Bolsonaro, cita necessidade de reformas institucionais, comenta atuação do STF e reafirma apoio à reeleição de Tarcísio em São Paulo
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou nesta segunda-feira, 27, que o próximo presidente precisa ter "coragem" para promover ajustes institucionais, inclusive no Judiciário. O PSD de Kassab tem hoje o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como postulante ao Palácio do Planalto. As declarações foram feitas em evento empresarial promovido pelo Lide, em São Paulo.
"Devemos ter o presidente que tenha coragem para fazer os ajustes e aperfeiçoamentos necessários, inclusive no Judiciário", disse, ao ser questionado sobre a atuação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e embates recentes envolvendo integrantes da Corte.
Na última semana, o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), publicou um vídeo com críticas, em tom de sátira, à atuação do ministro Gilmar Mendes. O caso levou Mendes a enviar uma notícia-crime com pedido de inclusão de Zema no inquérito das fake news, sob relatoria de Alexandre de Moraes.
O debate sobre a atuação dos ministros ganhou maior atenção pública nos últimos meses, em meio a episódios envolvendo integrantes da Corte e discussões sobre a necessidade de um código de ética para o tribunal. Pesquisa Atlas/Estadão publicada em março indicou que a desconfiança no STF alcança 60% da população.
Kassab afirmou não ver nem o presidente Lula nem o senador Flávio Bolsonaro vencendo as eleições. E comentou ainda as especulações sobre a possibilidade de compor como vice na chapa de Caiado. Ele afirmou que a escolha ainda não está definida e que o nome precisará reunir capacidade administrativa e técnica.
"Não temos pressa para decidir a questão da vice. A partir de julho, vamos tratar disso. A direção partidária quer um nome que possa somar para ganhar as eleições e que ajude o Caiado a governar", disse.
Na semana passada, Caiado afirmou que Kassab seria o nome ideal para compor como vice em sua eventual chapa presidencial, destacando o perfil de articulação e a experiência política do dirigente dentro da legenda.
Kassab também comentou as especulações sobre um eventual apoio do PT em São Paulo e descartou a possibilidade. Segundo ele, a "chance é zero", reforçando o apoio à reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
"A chance é zero. O jogo está decidido. Nós vamos apoiar o Tarcísio. Vamos apoiar incondicionalmente Tarcísio e Flávio", afirmou.
Apesar disso, como mostrou o Estadão, o PT avalia que pode atrair o presidente do PSD ao explorar o desgaste de sua relação com Tarcísio. A estratégia, respaldada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e por aliados como Fernando Haddad, passa por ampliar divisões no campo de centro e abrir espaço para uma reconfiguração de alianças, apesar do apoio público de Kassab à reeleição do governador.
Kassab diz que Bolsonaro 'teve desempenho pessoal muito aquém das expectativas
Antes, no discurso durante o evento, Kassab fez críticas ao Lula e ao ex-presidente Jair Bolsonaro, ao avaliar os dois governos. Segundo ele, Bolsonaro teve desempenho "muito aquém das expectativas", embora tenha contado com ministros que sustentaram a gestão.
"(Em 2018) assume o presidente Bolsonaro, sinceramente, sem nenhuma vocação para a vida pública. Não teve (bom) desempenho pessoal - ao contrário, um desempenho muito aquém das expectativas dos brasileiros, que queriam algo totalmente diferente -, mas teve a sorte de contar com alguns bons ministros que conseguiram levar o governo até o final", afirmou. Kassab citou nomes como Paulo Guedes, Tarcísio de Freitas e Tereza Cristina.
Ao comentar os governos petistas, Kassab reconheceu programas como o Minha Casa, Minha Vida, o Luz para Todos e o Bolsa Família, mas fez ressalvas à condução econômica. Na avaliação dele, Lula "sabe gastar, mas não sabe administrar a máquina pública", o que comprometeria a eficiência do Estado. O dirigente também criticou o aumento da carga tributária no terceiro mandato do petista, que classificou como "brutal".
"O Lula e o (ex-ministro da Fazenda) Fernando Haddad, sem dó nem piedade, botam a tributação de dividendos e não diminuem a carga das empresas", disse. Kassab acrescentou que, ao contrário, Paulo Guedes "teve o cuidado de propor a tributação de dividendos, mas simultaneamente diminuir a tributação de empresas".
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.