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Ipespe: 74% já sabem em quem votar no dia 02 de outubro

Maioria ignora as propagandas partidárias; a definição do voto pode ter sido uma das responsáveis pela falta de interesse

13 mai 2022 13h11
| atualizado às 14h28
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Urna eletrônica utilizada nas eleições brasileiras
06/10/2018
REUTERS/Adriano Machado
Urna eletrônica utilizada nas eleições brasileiras 06/10/2018 REUTERS/Adriano Machado
Foto: Reuters

A segunda rodada da pesquisa Ipespe de maio, divulgada nesta sexta-feira, 13, mostrou que 74% dos eleitores já decidiram em quem votar no dia 2 de outubro, segundo o cenário espontâneo do levantamento. A definição do voto pode ter sido uma das responsáveis pela falta de interesse nas propagandas partidárias, que não foram vistas ou ouvidas por 66% dos entrevistados. As inserções começaram a ser veiculadas em fevereiro deste ano.

Para os 33% do eleitorado que viu ou ouviu alguma propaganda partidária, o PT é o partido mais lembrado, com 52 citações. A segunda posição é ocupada pelo PSDB, com 15 lembranças; o PL e o PSOL estão empatados em terceiro lugar, com 6 cada. Extinta em 2017, a propaganda partidária retornou ao rádio e à televisão em 2022, após aprovação de projeto de lei no Senado Federal. Diferentemente da propaganda eleitoral, ela tem o objetivo de divulgar atos e posicionamentos relevantes das siglas.

O que se tem visto é que os partidos têm "driblado" as regras ao colocarem os pré-candidatos à Presidência para estrelarem as propagandas partidárias, na tentativa de ampliar a exposição de suas apostas eleitorais. Esse estratégia foi constatada pela pesquisa Ipespe, que questionou sobre os pré-candidatos mais lembrados pelos eleitores. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi o mais citado, 66 vezes; seguido do ex-governador de São Paulo João Doria (PSDB), com 28 lembranças.

Segundo resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a propaganda eleitoral, aquela em que os partidos e os candidatos podem se dirigir diretamente aos eleitores e divulgar suas candidaturas e propostas políticas, só pode ser feita a partir do dia 16 de agosto de 2022.

O presidente Jair Bolsonaro é o terceiro pré-candidato mais lembrado, com 25 citações. Segundo pesquisa interna do PL, o partido do presidente, ele terá que lidar na disputa com um "gargalo" de seu governo, que, na avaliação interna, não obteve sucesso em divulgar os seus feitos. Na tentativa de turbinar a campanha à reeleição do presidente, a base governista enviou ao Congresso um projeto de lei que flexibiliza o limite de gastos públicos com propaganda governamental em anos eleitorais para órgãos federais, estaduais e municipais.

Nesta terça-feira, dia 10, o projeto de lei foi aprovado no Senado, por 38 votos favoráveis e 29 contrários. A nova regra permitirá um aumento de R$ 25 milhões na propaganda do governo Bolsonaro este ano, segundo cálculo do Senado. O texto agora segue para a sanção do presidente.

Possibilidade de crescimento

A pesquisa ainda mostra que o pré-candidato do PDT, Ciro Gomes, é o nome que mais tem chance de crescer na corrida, já que 42% cogitam a possibilidade de votar no ex-ministro. Com a saída do ex-juiz Sérgio Moro (União Brasil) da disputa, Ciro se consolidou na terceira posição na disputa. Nessa rodada da pesquisa, aparece com 8% das intenções de votos.

O comando da campanha do ex-presidente Lula ao Palácio do Planalto aumentou a pressão para que Ciro desista da disputa. Nos últimos dias, o próprio petista entrou nas articulações, com o objetivo de atrair o PDT para a aliança em torno de sua pré-candidatura. Pesquisas de intenção de voto indicam que, se Ciro sair do páreo, a maioria de seus eleitores deve migrar para Lula. Em um vídeo nas redes sociais, Ciro reagiu a investida de Lula e reafirma candidatura "até o fim".

Ainda na probabilidade de voto, Bolsonaro é o pré-candidato mais rejeitado, segundo o levantamento divulgado nesta sexta. Para 59% dos entrevistados, o atual presidente não é uma possibilidade de voto. A segunda maior rejeição é de João Doria, com 55%.

A pesquisa Ipespe é financiada pela XP Investimentos e realizou 1.000 entrevistas, nos dias 9, 10 e 11 de maio. A margem de erro é de 3,2 pontos porcentuais, para mais ou para menos. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-02603/2022.

 

Estadão
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