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Política

Imprensa internacional repercute prisão de Daniel Vorcaro: 'Magnata com segredos'

'Faz tremer a política brasileira', 'maior falência bancária no Brasil em uma geração' e 'milícia privada' foram termos usados por jornais do exterior sobre a prisão do dono do Banco Master

5 mar 2026 - 14h38
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A imprensa internacional repercutiu a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, na terceira fase da Operação Compliance Zero deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira, 4. Na nova etapa das investigações, foram reveladas mensagens que sugerem a proximidade do empresário com autoridades e figuras importantes da política brasileira.

O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso na terceira fase da Operação Compliance Zero deflagrada pela Polícia Federal
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso na terceira fase da Operação Compliance Zero deflagrada pela Polícia Federal
Foto: Fábio Vieira/Estadão / Estadão

O jornal espanhol El País se referiu a Vorcaro como um "magnata cujos segredos fazem tremer a classe política do Brasil". Em reportagem publicada nesta quarta-feira, o texto destaca que, nesta operação sobre as fraudes do empresário, os suspeitos podem tentar fechar acordos de delação premiada.

"O caso Master é uma sombra pairando sobre grande parte da elite econômica e política do Brasil, dadas as suas enormes ramificações. O maior pesadelo agora é que Vorcaro, cada vez mais encurralado, decida revelar tudo e confessar o esquema aos investigadores em busca de clemência. Suas conexões alcançam partidos políticos de todas as matizes", escreveu.

Além disso, o texto ainda destaca que Vorcaro e seus ajudantes chegaram a acessar sistemas restritos do Ministério Público, da Polícia Federal e até de organismos internacionais como o FBI e a Interpol.

"É que o poderoso banqueiro tinha à sua disposição uma espécie de milícia privada chamada 'A Turma', uma equipe de fiéis que coletava informações sensíveis e espionava ilegalmente e ameaçava adversários, autoridades e jornalistas", diz a reportagem.

El País repercute prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master
El País repercute prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master
Foto: Reprodução/El País / Estadão

A agência de notícias britânica Reuters destacou que a prisão preventiva de Vorcaro foi baseada em novas provas obtidas pela Polícia Federal incluindo as mensagens de texto do celular do banqueiro.

Em troca de mensagens interceptadas pela PF, Daniel Vorcaro teria solicitado a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o "Sicário", que o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, fosse agredido em um assalto forjado. O "Sicário" era responsável pela execução de atividades voltadas à obtenção de informações sigilosas e ao monitoramento de pessoas.

"Algumas mensagens de texto obtidas durante a investigação mostraram Vorcaro dizendo ao associado que gostaria de mandar espancar um jornalista. 'Quebrar todos os dentes dele, num assalto', disse ele", diz o texto.

Agência Reuters noticia prisão de Daniel Vorcaro dono do Banco Master
Agência Reuters noticia prisão de Daniel Vorcaro dono do Banco Master
Foto: Reprodução/Agência Reuters / Estadão

Já o jornal britânico Financial Times noticiou que Vorcaro foi preso pela segunda vez. A reportagem afirmou que "as prisões marcam uma escalada significativa na investigação de suspeitas de fraude e lavagem de dinheiro no Banco Master, que colapsou no ano passado com perdas estimadas em mais de R$ 40 bilhões, na maior falência bancária no Brasil em uma geração".

Financial Times publica reportagem sobre prisão de dono do Banco Master, Daniel Vorcaro
Financial Times publica reportagem sobre prisão de dono do Banco Master, Daniel Vorcaro
Foto: Reprodução/Financial Times / Estadão

Na imprensa norte-americana, a agência Associated Press publicou que a operação da Polícia Federal também ordenou o congelamento de bens no valor de R$ 22 bilhões. A reportagem destacou que na decisão de 48 páginas que determinou a prisão de Vorcaro, o ministro do STF André Mendonça apontou indícios de crimes contra os sistemas financeiro e judiciário, além de possível participação em organização criminosa e práticas de lavagem de dinheiro.

"Vorcaro também fazia parte de um grupo que buscava obter informações confidenciais, monitorar indivíduos considerados adversários do grupo e realizar "ações de intimidação para proteger os interesses do núcleo da organização criminosa", diz o texto.

Estadão
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