Presidência da Câmara rebate discurso de Dilma
Nota diz que processo de impeachment é legítimo e que teve seu rito fixado pelo Supremo Tribunal Federal
Em meio a expectativas de que a presidente Dilma Rousseff reforce em entrevista em Nova York na tarde desta sexta-feira (22) seu discurso de que o processo de impeachment contra ela é um golpe, a presidência da Câmara das Deputados divulgou hoje uma nota rebatendo as acusações.
Na nota, a presidência da Câmara diz que o processo de impeachment é legítimo, teve seu rito fixado pelo Supremo Tribunal Federal e lembra que a Constituição Federal inclui na lista dos chamados crimes de responsabilidade do presidente da República os atos que atentem contra a lei orçamentária.
O processo de pedido de impeachment de Dilma, já aprovado na Câmara e agora em tramitação no Senado, questiona a abertura de créditos suplementares por meio de decretos presidenciais sem a autorização do Congresso Nacional e as chamadas “pedaladas fiscais”.
“Portanto, não são somente atos praticados contra a probidade de administração (atos de corrupção) que configuram crimes de responsabilidade. Atentar contra a lei orçamentária também é crime de responsabilidade”, diz a nota.
A nota sustenta ainda que, além do enquadramento jurídico, a Câmara também concluiu, politicamente, pela abertura do processo, “pela maioria dos deputados ter considerado, entre outros fatores, que o governo não tem mais condições de governabilidade e que a prática desses atos contábeis teve o condão de mascarar do povo brasileiro a real situação financeira econômica do país”.
“Por essas considerações, pode-se dizer, sem qualquer dúvida, que a tese do ‘golpe’e de que não há crime de responsabilidade não prospera”, diz a nota.
O governo refuta as acusações de crime de responsabilidade dizendo que os decretos não autorizaram mais gastos no geral mas trataram apenas da alocação de recursos e que as chamadas pedaladas fiscais não se constituem operações de crédito, o que é proibido.
A presidente se encontra em Nova York para a assinatura do acordo de Paris sobre mudanças climáticas. A possibilidade de Dilma usar discurso na ONU para classificar como golpe o impeachment foi criticada por ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) há dois dias.
No discurso, porém, a presidente usou praticamente todo seu tempo para tratar do tema do evento, embora tenha feito referência ao "grave momento" vivido pelo Brasil.
Comentários
As opiniões expressas nos comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Terra.