Haddad se diz insatisfeito com política monetária e promete revisar contratos firmados por Tarcísio
Em entrevista à Globo, candidato do PT ao Palácio dos Bandeirantes exime governo federal de responsabilidade sobre política adotada pelo Banco Central e explica planos para segurança pública e educação em São Paulo
Fernando Haddad criticou a política de juros do Banco Central, mas disse respeitar a autonomia do órgão. Em suas propostas para São Paulo, prometeu rever privatizações e concessões da gestão Tarcísio, como Sabesp e CPTM, cogitando rompimentos. O petista também planeja alterar a constituição estadual para garantir verbas às universidades públicas via modelo Fapesp, recuperar as finanças locais em seis meses e criar uma agência integrada antifacção, usando tecnologia contra o crime.
O ex-ministro da Fazenda e candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, defendeu que, embora tenha indicado o nome de Gabriel Galípolo para a presidência do Banco Central, trata-se de um cargo com mandato e de um órgão com autonomia operacional. O petista disse que "está insatisfeito" com a política monetária atual do BC, mas que, após a indicação, o indicado "faz as coisas da cabeça dele". As declarações foram feitas ao SPTV, da TV Globo.
"Eu tenho me frustrado com a política monetária. Eu acho que a política monetária está excessivamente apertada, desnecessariamente", disse o petista. Questionado se ele conversa com Galípolo a respeito do tema, Haddad respondeu que sim, embora não tenha autoridade para impor qualquer decisão.
"Converso [com Galípolo], o presidente [Lula] conversa. Agora, nós respeitamos a instituição do ponto de vista da sua autonomia. Eu não tenho nem autoridade para impor uma decisão. Eu converso levando números, argumentos, como eu fazia com o Roberto Campos [ex-presidente do BC, antecessor de Galípolo], que também manteve a taxa de juros muito elevada", detalhou o ex-ministro da Fazenda.
Haddad explica planos para a Educação em SP
Durante a entrevista, Haddad também foi questionado sobre o financiamento à educação no Estado, especialmente das universidades, após a aprovação da reforma tributária. O petista respondeu que, para garantir o financiamento a Unesp, USP e Unicamp, será preciso alterar a constituição paulista.
"Eu já propus adotar o modelo Fapesp, que financia pesquisa científica no Estado. Ela tem uma verba vinculada à receita tributária do Estado e não a um determinado imposto. Quero adotar essa metodologia para garantir para as universidades estabilidade de planejamento de longo prazo", disse.
Haddad fala sobre contratos de concessão e privatização em SP
Haddad reforçou nesta segunda-feira (14) que, se eleito, pretende rever contratos de concessão e privatização assinados na gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos). Ele citou a Sabesp, linhas de trens da CPTM e pedágios free flow.
Segundo Haddad, caso a revisão das cláusulas do contrato não seja exitosa, é possível "judicializar e, eventualmente, romper o contrato". Segundo o petista, a maioria dos contratos de concessão da atual gestão foram "mal feitos" e precisam ser readequados ao "interesse público", dado que houve aumento de reclamações da Sabesp no Procon e crescimento dos incidentes nos trilhos dos trens.
"Os contratos foram mal feitos, da Sabesp, free flow e privatização da CPTM. O papel do governante é rever os contratos, aplicar penalidades. Não deu certo: judicializar e eventualmente romper o contrato", declarou o ex-ministro da Fazenda.
Haddad também vinculou a viabilização de novos investimentos no Estado à situação financeira do governo. Segundo ele, será necessário um "trabalho de seis meses" para recuperar as finanças estaduais, que, na sua avaliação, se deterioraram nos últimos anos. Nesse sentido, o petista voltou a citar que a atual gestão recebeu o tesouro estadual com superávit na casa de R$ 23 bilhões, que hoje está na casa de R$ 5 bilhões, mesmo com a venda de ativos, como a privatização da Sabesp.
Haddad ainda disse que contratos terceirizados, indenizações a concessionárias e privatizações recentes serão "três focos de atenção" para a recomposição do caixa estadual e para abrir espaço orçamentário para investimentos e melhorias em serviços públicos.
Haddad reafirma plano de agência antifacção
Na área de segurança pública, Haddad voltou a defender sua proposta de criar uma "agência antifacção" sob presidência do governador, com participação de órgãos estaduais e federais, e afirmou que a cooperação entre governos "precisa ser a regra", o que não acontece hoje. Questionado sobre se a ideia de agência antifacção não seria igual à atual Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO), o petista disse que a agência será presidida por ele e que irá "realmente funcionar".
Ainda na área da segurança, Haddad afirmou que pretende modernizar a resposta ao crime do dia a dia com uso de tecnologia e inteligência artificial, incluindo registro de boletim de ocorrência por aplicativo e análise em tempo real para orientar patrulhamento e investigação. "São Paulo está no tempo do telefone fixo, não está no tempo da modernidade", disse o petista.
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