Haddad vê impacto do STF no debate eleitoral e defende reforma do Judiciário
Ex-ministro da Fazenda enfrenta disputa contra o governador Tarcísio de Freitas; pesquisas mostram vitória no 1º turno do atual chefe do Executivo paulista
Ao votar em São Paulo, o candidato ao governo paulista Fernando Haddad (PT) declarou satisfação com sua campanha e admitiu que ações do STF afetam o debate eleitoral. Diante da crise de credibilidade da Corte, Haddad defendeu uma ampla reforma do Judiciário, relembrando sua proposta de fixar mandatos para ministros do tribunal. Em segundo lugar nas pesquisas, atrás do governador Tarcísio de Freitas, o petista cumpriu agenda com aliados e aguarda o resultado da apuração na capital.
O candidato ao governo de São Paulo pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Fernando Haddad, disse neste domingo, 4, estar "muito satisfeito" com o clima da campanha deste ano e reconheceu que ações do Supremo Tribunal Federal (STF) impactam o debate eleitoral.
Na reta final da campanha, a mais alta Corte do País esteve associada a denúncias de ministros envolvidos com o escândalo de corrupção do Banco Master e críticas sobre interferências dos magistrados nos debates eleitorais.
"Todo tema relevante impacta (a campanha). Você está falando do presidente da República", disse ele, ao ser questionado sobre o impacto de ações do Supremo na disputa pelo comando do Palácio do Planalto. Ele também defendeu nova reforma do Judiciário, que sofre com uma crise de credibilidade após a sucessão de suspeitas de desvios por parte de seus ministros.
"Não é uma reforma que dependa de uma pessoa. Tem de ouvir juristas, tem de ouvir o Judiciário, tem de ouvir todo esse público grande. É bom lembrar que em 2018, a minha campanha (para a presidência da República, que terminou com a vitória do ex-presidente Jair Bolsonaro) já falava na necessidade de mandatos para ministros do Supremo", acrescentou o ex-ministro da Fazenda.
Ele votou em uma escola de Moema, zona sul de São Paulo. Segundo colocado nas pesquisas de intenção de voto, o ex-ministro da Fazenda disse que o clima foi melhor do que no pleito de 2022.
"O clima no Estado de São Paulo estava muito melhor do que na eleição passada. Era possível sentir no ar a população muito mais aberta a ouvir, a entender e a tomar sua decisão no dia de hoje", disse. "Estou muito satisfeito com a qualidade da campanha que nós pudemos apresentar para o eleitor de São Paulo."
Adversário de Haddad, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) lidera a corrida pelo Palácio dos Bandeirantes com 60% dos votos válidos no primeiro turno, enquanto o petista aparece com 36%. Este cenário daria vitória no 1º turno ao atual chefe do Executivo paulista.
Haddad esteve no local acompanhado do vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), e das candidatas ao Senado Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB). A mulher do candidato, Ana Estela Haddad, também estava com ele.
Mais cedo, no começo da manhã, o ex-prefeito de São Paulo esteve com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em São Bernardo do Campo, na região do ABC.
Durante a tarde, a programação do candidato do PT ao Palácio dos Bandeirantes inclui acompanhar o voto de Alckmin em colégio no Morumbi, também na zona sul de São Paulo. Depois, ele segue para um hotel na Avenida Paulista, na região central, onde aguarda pela apuração dos votos.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.