Flávio ouve críticas do mercado ao STF e diz que relação ficará melhor quando ele nomear 4 ministros
Em encontros com agentes do mercado financeiro em São Paulo, candidato foi questionado sobre ajuste fiscal, corte de gastos, reforma tributária, privatizações e a relação com o Supremo
Em reuniões com o mercado financeiro em São Paulo, Flávio Bolsonaro (PL) sinalizou pragmatismo e prometeu mandato único caso seja eleito. Diante de críticas aos supostos excessos do Judiciário, o candidato afirmou que a relação com o STF melhorará ao indicar quatro ministros à Corte. Ele defendeu moderação nas privatizações, corte de 2% no orçamento dos três Poderes e autonomia em relação ao Centrão, evitando temas polêmicos como o caso Master e investigações que envolvem sua campanha.
BRASÍLIA — Nas duas agendas que teve com agentes do mercado financeiro nesta quinta-feira, 27, em São Paulo, o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) ouviu críticas aos "excessos" do Judiciário e afirmou que, se eleito, a relação com o Supremo Tribunal Federal (STF) ficará mais fácil quando ele nomear quatro ministros para as vagas que abrirão durante o próximo mandato presidencial.
Flávio foi questionado sobre ajuste fiscal, corte de gastos, reforma tributária e concessões. Ele afirmou não ser "um radical em privatização", que existem ativos estratégicos de que não se pode abrir mão e que a geopolítica mundial deixa isso mais claro hoje em dia. Os relatos foram feitos por duas pessoas que estiveram nos encontros.
Acompanhado da economista e ex-presidente da Caixa Federal Daniella Marques, o candidato esteve à tarde na sede do Bradesco em Osasco (SP), onde foi recepcionado por Luiz Carlos Trabuco, presidente do conselho de administração do banco, e pelo presidente Marcelo Noronha para uma conversa com cerca de 30 lideranças da empresa.
À noite foi a um jantar na casa de Marcelo Kayath, ex-presidente do Credit Suisse no Brasil e atualmente sócio da gestora QMS Capital, em São Paulo. Aproximadamente 15 convidados estavam presentes, entre eles Richard Gerdau (Gerdau), Fernando Simões (JSL), Fabio Ermínio de Moraes (Grupo Votorantim), Fabio Barbosa (Grupo Abril) e o ex-ministro Pedro Parente.
As perguntas mais frequentes foram sobre o norte de um eventual governo Flávio Bolsonaro, se ele manteria uma postura de comprar briga com o STF assim como fazia seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ou se assumiria o cargo para resolver problemas e gargalos do País. "Eu sei que vou ser cobrado para entregar resultados", respondeu ele, segundo relato de pessoas presentes, o que foi entendido como uma sinalização de que terá um governo mais pragmático se for eleito.
O candidato repetiu que tem a intenção de ficar só um mandato no poder, seja ele de quatro ou cinco anos, e depois permitir que outra liderança dispute a cadeira. O discurso tem sido visto como uma estratégia para atrair setores da direita ainda resistentes em apoiá-lo, em especial a lideranças de São Paulo próximas ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). No começo do ano, Flávio protocolou uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para acabar com a reeleição, tentando deixar a promessa mais palpável.
O candidato ouviu — e fez — críticas diversas ao Poder Judiciário. Os empresários reclamaram do que veem como ingerência do STF tal como a ADPF das Favelas e dos privilégios no Judiciário, como aconteceu nesta semana, quando a Corte criou um novo benefício para a elite de seus servidores, seis meses depois de o ministro Flávio Dino ter determinado limites para a concessão de penduricalhos.
A ADPF mencionada determinou a elaboração de um plano para retomar áreas ocupadas por organizações criminosas no Rio e a investigação pela Polícia Federal sobre crimes e violações de direitos humanos, o que foi visto pelo então governo fluminense como um obstáculo para o combate ao crime.
Os empresários quiseram saber como Flávio vai resolver os "excessos" do Judiciário, e o candidato optou por respostas políticas. Sem mencionar impeachment de ministros do Supremo, ele disse que, se eleito, precisará sentar com cada um dos ministros e que a situação vai melhorar quando ele indicar quatro das 11 vagas — uma delas está aberta desde 2025, com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso e rejeição da indicação de Jorge Messias à vaga.
Flávio foi perguntado sobre o perfil de seu eventual ministério e se abrigaria o Centrão em seu governo. Respondeu que, caso derrote o presidente Lula (PT), chegará ao poder sem débito com ninguém, uma vez que nenhum partido quis se aliar ao PL para a sua campanha, portanto não se sentirá obrigado a ceder cargo a outras legendas.
Por outro lado, deu sinais de que não pretende governar sem o Centrão, e citou o caso de bons nomes indicados pelo grupo político, como o da senadora Tereza Cristina (PP-MS), apesar da decepção de ministros como Luiz Henrique Mandetta (então no DEM).
Sobre um possível corte de gastos, o candidato afirmou que pretende dar autonomia para os outros dois Poderes, o Legislativo e o Judiciário, cortarem 2% do orçamento, assim como o Executivo. Outra preocupação presente em algumas manifestações foi com a taxa básica de juros, hoje estabelecida pelo Banco Central em 14% ao ano, considerada alta demais e motivo de uma série de falências vistas no mercado nacional.
Não houve perguntas sobre o caso Master, a relação de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro ou o filme "Dark Horse", o principal calcanhar de Aquiles de sua candidatura. Isso porque Flávio pediu R$ 134 milhões a Vorcaro para supostamente financiar o projeto audiovisual, dos quais R$ 61 milhões foram enviados a um fundo sediado no Texas ligado a Eduardo Bolsonaro. O caso está sob investigação policial.
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