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Política

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Flávio: 'Não só vou aceitar o desafio de abrir sigilo como vou levar às últimas consequências'

21 out 2026 - 14h28
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Resumo
Flávio Bolsonaro aceitou o desafio de Lula para abrir seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, mas impôs condições rígidas: exigiu a quebra do sigilo telefônico do ex-assessor petista Marcola, transparência nos gastos do cartão corporativo, dados do Instituto Lula e a lista de visitantes do Alvorada. A troca de acusações ocorre após a campanha de Lula acionar o TSE sobre o tema. No mesmo evento, o candidato do PL prometeu indicar ao STF ministros contrários ao aborto e às drogas, caso seja eleito.

O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, afirmou nesta quarta-feira, 21, que "aceita o desafio" do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para abrir seus sigilos, mas impôs condições. Entre elas, cobrou a abertura do sigilo telefônico do ex-chefe de gabinete do petista Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, e a divulgação de informações sobre o cartão corporativo da Presidência.

"Só que eu não só vou aceitar o desafio como eu vou levar até as últimas consequências", declarou o candidato do PL durante encontro com apoiadores em Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo.

Ao justificar a exigência sobre Marcola, Flávio afirmou que Lula não utiliza telefone celular e que as ligações destinadas ao presidente passam por pessoas próximas. O ex-chefe de gabinete atuava como um dos contatos de quem buscava falar com o petista.

"Você não tem celular, sabe quem recebe as ligações com você? O Marcola. O Lula tem o Marcola lá do lado dele", disse o senador. "Para eu abrir as minhas contas, Lula tem que abrir o sigilo telefônico do Marcola."

Flávio também exigiu a divulgação de informações sobre o patrimônio da família do presidente, as atividades do Instituto Lula e os registros de visitantes do Palácio da Alvorada.

Ao cobrar transparência sobre o cartão corporativo, mencionou a primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja. "Lula, você vai tirar o sigilo que você botou em quem visitou o Alvorada?", questionou.

As declarações ocorreram um dia depois de a campanha de Lula protocolar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma autorização para divulgar os sigilos bancário, fiscal e telefônico do presidente e de seus familiares. A liberação está condicionada à concordância de Flávio em fazer o mesmo em relação a si e à própria família.

O documento abrange os últimos oito anos e prevê a publicação das informações em uma plataforma de acesso público. A petição contém uma declaração formal de autorização, ainda sem os dados bancários, fiscais e telefônicos.

O desafio foi lançado por Lula durante o debate Band/Estadão de domingo, 18. Na terça-feira, 20, o petista voltou a cobrar a medida e afirmou que Flávio só poderia participar do debate da TV Globo se apresentasse o documento autorizando a quebra dos sigilos.

O encontro em Guarulhos foi realizado em local fechado e organizado pelo governador paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Antes da fala de Flávio, Tarcísio afirmou que Lula estava com medo e procurava uma desculpa para faltar ao debate.

Aborto e STF

O candidato do PL à Presidência da República afirmou ainda que, se eleito, indicará ao Supremo Tribunal Federal (STF) ministros contrários ao aborto. O senador também disse que uma eventual reeleição do presidente Lula abriria caminho para a escolha de integrantes que votariam pela descriminalização do procedimento. "A gente vai colocar lá pessoas corretas, homens e mulheres que respeitam a Constituição, que sejam contra as drogas, que sejam contra o aborto", declarou.

Ao abordar o tema, Flávio citou a ação apresentada pelo PSOL ao Supremo para descriminalizar a interrupção voluntária da gravidez até a 12ª semana de gestação. O candidato afirmou que Lula poderia indicar quatro ministros e, na avaliação dele, formar uma maioria favorável à medida.

O senador mencionou os votos de Rosa Weber e Luís Roberto Barroso, apresentados antes de suas aposentadorias, em favor da descriminalização do aborto nas primeiras 12 semanas de gestação. Ao votar, Barroso afirmou que a discussão envolve o uso da punição criminal contra mulheres que interrompem a gravidez e defendeu que o tema seja tratado como questão de saúde pública.

"Desde a concepção tem vida", afirmou Flávio, ao defender sua posição contrária ao aborto.

O candidato também disse que impedirá novas indicações de Lula ao tribunal com uma vitória no segundo turno.

Estadão
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