Flávio descarta irmão como chanceler, deixa em aberto cargo ao pai e cita Lula nas respostas
Em entrevista à TV Globo, candidato do PL ataca o presidente Lula diversas vezes e diz que manterá o fim da escala 6x1 e programas sociais do governo federal se chegar ao poder
Em sabatina, o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro descartou nomear o irmão Eduardo como chanceler e evitou dizer se dará cargo ao pai, Jair Bolsonaro. O senador prometeu cumprir apenas um mandato, respeitar o resultado eleitoral e manter benefícios sociais, além do fim da escala 6x1. Mirando Lula nas respostas, ele defendeu mudanças no Estatuto do Desarmamento, minimizou o projeto que retira a marcação de munições e afirmou que fará o ajuste fiscal combatendo a corrupção e gerindo estatais.
BRASÍLIA — O senador e candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) disse nesta sexta-feira, 16, que não pretende nomear o irmão Eduardo Bolsonaro como chanceler caso seja eleito, evitou responder se daria cargo ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e tentou fugir de pergunta sobre projeto que retira a marcação de munições.
Em entrevista concedida à TV Globo nesta sexta-feira, 16, Flávio procurou mencionar o seu adversário do segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a todo o momento, mesmo quando perguntado sobre questões alheias ao petista.
Sobre cargos para a família, se for eleito
O candidato negou que vá promover mudanças na lei para permitir que seu pai concorra à sua sucessão em 2030, mas evitou responder se ele comporia o seu ministério num eventual governo. "Isso não está no radar", disse. "O presidente Bolsonaro nunca tratou de cargo comigo, nunca sugeriu que gostaria de trabalhar no governo".
Questionado se abriria mão voluntariamente de buscar um novo mandato caso seja eleito, uma vez que defende o fim da reeleição mas poderá concorrer de novo em 2030, Flávio disse que só pretende exercer um mandato, mas deixou em aberto a quantidade de anos que está disposto a ficar no poder.
"Sim, eu abriria mão (de concorrer à reeleição) porque eu, quando minha equipe trouxe esse assunto, partiu de mim apresentar uma PEC e dar o exemplo. Ela diz que acaba a reeleição ao presidente da República, e no processo legislativo é que vai decidir qual vai ser o tamanho do mandato, se vai ser de quatro anos, se não vai. Estou aqui me comprometendo. Eu só preciso de um mandato, só quero um mandato para começar a consertar nosso País de verdade", declarou.
Flávio Bolsonaro defendeu o irmão Eduardo, que hoje vive nos Estados Unidos, onde tem atuado para impor sanções ao Brasil em razão da condenação imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF) contra Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. Mas assegurou que ele não será o ministro das Relações Exteriores.
"Não, ele (Eduardo) não vai ser meu chanceler. O Eduardo é um perseguido político que está lá fora denunciando as arbitrariedades que existem aqui no Brasil", afirmou à jornalista Renata Lo Prete.
Ataques de 8 de Janeiro
Assim como seu pai, Flávio negou que o 8 de Janeiro tenha feito parte de uma tentativa de golpe de Estado e defendeu os presos no episódio. Questionado se vai respeitar o resultado das urnas se perder a eleição em 25 de outubro, ele disse: "Eu vou disputar as eleições com as regras que estão aí. Independentemente de qual for o resultado, eu vou respeitar. Mas eu tenho a convicação de que o Brasil já escolheu a mudança".
Projeto que retira marcação de munição
Indagado porque endossa um projeto de lei que determina o fim da marcação de munições e se isso não vai dificultar as investigações de crime e o rastreamento do que for roubado, Flávio primeiro mudou de assunto e começou a falar que é preciso reprimir o crime organizado. Diante da cobrança para responder sobre o projeto, o senador tergiversou: alegou que isso é um "detalhezinho" e que seu programa de governo é bem maior na direção de combater a violência.
Como fez Jair Bolsonaro em sua gestão presidencial, Flávio prometeu que também vai alterar o Estatuto do Desarmamento para assegurar o direito das pessoas de terem armas de fogo.
Benefícios e direitos
O candidato também disse que manterá o fim da escala 6x1, aprovada na quarta-feira no Congresso, e os programas sociais do governo Lula. Flávio vinha se colocando contra a aprovação do fim da escala 6x1, mas deu uma guinada na última semana, mudando de opinião para atender "à maioria da população", e acabou votando a favor da PEC no Senado, na quarta-feira.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi o primeiro sabatinado na TV Globo, na quinta-feira, 15, quando deu uma guinada histórica em seu discurso e afirmou ser a favor de reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos. Foi a primeira vez que ele se posicionou desta forma. A segurança pública é o calcanhar de Aquiles do governo Lula e uma das principais preocupações dos eleitores.
Ajuste fiscal
Perguntado como fará o ajuste fiscal de R$ 200 bilhões que tem prometido a empresários sem cortar benefícios e mantendo reajustes acima da inflação no salário mínimo e para aposentadorias, Flávio disse que conseguirá economizar dinheiro público pelo combate à corrupção e pela melhoria na gestão de estatais e de patrimônio da União.
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