Lula quer tarifaço dos EUA 'porque acha que vai ter retorno político', diz Flávio Bolsonaro
Senador viajou aos Estados Unidos para uma audiência sobre investigação econômica contra o Brasil
BRASÍLIA — O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é o único que quer um tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil porque acha que vai ter retorno político.
A declaração foi dada durante uma live nos Estados Unidos ao lado do irmão e ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que no ano passado usou o tarifaço do presidente americano Donald Trump para cobrar a aprovação de uma anistia ao seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Flávio viajou aos Estados Unidos para participar de uma audiência pública sobre políticas e práticas do Brasil, sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA de 1974, que ocorrerá a partir de segunda-feira, 6.
A Seção 301 tem sido usada pelo governo americano para investigar e punir práticas comerciais estrangeiras apontadas pela Casa Branca como injustas ou prejudiciais às empresas americanas. No caso do Brasil, um dos alvos é o Pix.
"O atual presidente da República lavou as mãos, ele é o único no mundo e no Brasil que quer essa tarifação para as empresas brasileiras porque ele acha que vai ter algum retorno político", afirmou o senador.
Ele ainda reforçou que não vai desistir da candidatura, em meio à liderança de Lula nas pesquisas e às críticas que recebeu da madrasta, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
"Vamos continuar lutando pelo nosso Brasil sempre, tá? Tô vendo alguns comentários aqui: 'Flávio, não desista.' Pessoal, essa palavra não tem no meu dicionário. Eu tenho a convicção de que o Brasil vai ter um novo governo a partir de janeiro do ano que vem."
A transmissão foi feita antes do jogo em que a Noruega eliminou o Brasil da Copa do Mundo. O senador havia perguntado aos seguidores se eles estavam com mais medo de Haaland, atacante norueguês que fez dois gols contra a Seleção Brasileira, ou de "o Brasil ficar mais quatro anos nas mãos do PT."
Flávio Bolsonaro defendeu o pai, que está em prisão domiciliar condenado por tentativa de golpe de Estado. "Ele sempre volta na mesma tecla. Qual é a tecla que ele volta? Se defendendo das acusações: 'p..., vai lá fora, fala que eu estava nos Estados Unidos, fala que eu nomeei os comandantes de Força, do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, indicados pelo Lula. Não existe golpe, nunca falamos de golpe.' É uma pessoa que claramente se sente muito injustiçada."
A audiência que Flávio participará foi anunciada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (United States Trade Representative, o USTR). A reunião ocorrerá na Comissão de Comércio Internacional dos EUA, em Washington. Serão duas sessões, amanhã, 6, e na terça-feira, 7. O painel com o senador brasileiro está previsto para o segundo dia, às 10h do horário local (11h no horário de Brasília).
Na última quinta-feira, o senador enviou uma manifestação ao USTR na qual pede a suspensão imediata da tarifa de 25% sobre as exportações brasileiras. "As tarifas propostas recompensariam exatamente os infratores que pretendem punir", afirma o documento.
Na carta, a equipe de Flávio reuniu reportagens para sustentar que a tarifa passou a ser explorada politicamente pelo governo e por veículos de imprensa alinhados ao Palácio do Planalto. Segundo o senador, a medida foi convertida em uma acusação de traição contra a oposição.
A proposta do governo de Donald Trump de sobretaxar produtos brasileiros decorre de uma investigação conduzida com base na Seção 301, que aponta supostas práticas desleais e discriminatórias do Brasil em áreas como comércio digital, propriedade intelectual e combate ao desmatamento ilegal.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu à carta do senador Flávio Bolsonaro ao USTR afirmando que a família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) quer se "submeter aos interesses" americanos com entreguismo.
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