Filho de Camisotti ficou em silêncio 86 vezes em depoimento à CPI do INSS
Paulo Otávio Camisotti é dono da Rede Mais Saúde Ltda, que recebeu repasses de associação investigada por descontos ilegais a aposentados
BRASÍLIA - O empresário Paulo Otávio Camisotti optou por ficar em silêncio 86 vezes diante das perguntas feitas por parlamentares na CPI do INSS nesta quinta-feira, 26. Filho do lobista Maurício Camisotti, o depoente é sócio da empresa Rede Mais Saúde Ltda, uma das principais beneficiárias de repasses da Associação de Moradia Beneficente de Cidadania (Ambec), acusada de proceder descontos ilegais a aposentados e pensionistas.
Em certos momentos do depoimento, o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), e o vice, deputado federal Duarte Jr. (PSB-MA), leram o habbeas corpus concedido ao depoente pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino.
Os parlamentares tentavam pressioná-lo a responder pelo menos parte das perguntas sob a justificativa de que a decisão não o autorizava a ficar em silêncio durante toda a sessão, mas somente em perguntas potencialmente incriminadoras.
Mesmo assim, ele forneceu apenas informações já conhecidas, como a identidade de seu pai, a existência da empresa de que é sócio e sua formação profissional.
Caiu em contradição uma vez. Logo no início, ele disse não recordar se havia visitado seu pai na prisão. Depois, em resposta a pergunta do senador Izalci Lucas (PL-DF), confirmou ter feito visita ao lobista.
Maurício Camisotti é apontado pela Polícia Federal como o operador financeiro da Ambec, no âmbito da Operação Sem Desconto, que mira fraudes no INSS. Ele está preso preventivamente.
Seu filho foi incluído nas apurações da CPI devido ao vínculo com uma das empresas que movimentou recursos da entidade, a Rede Mais Saúde.
O depoimento foi mais curto devido à ausência da base do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De manhã, a CPI aprovou, simultaneamente, 87 requerimentos em votação simbólica. Um deles prevê a quebra de sigilo de Fábio Luís da Silva, o Lulinha, filho do petista.
Houve confusão e troca de agressões entre parlamentares. Governistas acusam Viana de ter cometido fraude ao não contabilizar votos de parte dos membros da comissão alinhados ao Palácio do Planalto. Agora, recorreram ao presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), para anular o ato.
Aliados de Lula não voltaram para fazer perguntas no depoimento.
Na sessão, estavam previstos ainda os depoimentos do deputado estadual do Maranhão Edson Cunha de Araújo (PSB), presidente licenciado da Federação das Colônias de Pescadores do Estado do Maranhão (Fecopema), e do advogado Cecílio Galvão, que recebeu R$ 4 milhões de entidades investigadas.
Os dois apresentaram atestados médicos para justificar sua ausência na comissão. Ao final da sessão, Viana afirmou que Cecílio será conduzido coercitivamente para prestar depoimento ao colegiado na próxima segunda-feira, 2.