Falha técnica interrompeu a divulgação dos votos para presidente nas eleições, mas não a apuração
POSTS ENGANOSOS SUGEREM QUE INSTABILIDADE PROVOCADA POR AUMENTO NO VOLUME DE DADOS TERIA ALTERADO O RESULTADO DA DISPUTA E FAVORECIDO LULA
É enganoso que uma pausa na contagem de votos para presidente tenha ocorrido para alterar resultados. Segundo o TSE, houve apenas uma falha técnica de 50 minutos no módulo de divulgação na internet devido ao alto tráfego de dados. A apuração e a totalização dos votos não foram interrompidas, operando normalmente dentro das urnas e nos sistemas internos. A visualização por estados continuou ativa, e a integridade da contagem é auditável por meio dos Boletins de Urna impressos em cada seção.
O que estão compartilhando: que a contagem de votos para presidente ficou misteriosamente travada por uma hora e que, após a divulgação dos resultados ser retomada, o candidato Flávio Bolsonaro (PL) começou a perder a vantagem que mantinha sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Há sugestão de que a interrupção teria relação com uma suposta irregularidade na apuração.
O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou que uma falha técnica interrompeu, por 50 minutos, a divulgação do resultado nacional da eleição para presidente na noite do último domingo, 4 de outubro. Em nota (aqui), o tribunal informou que o problema ocorreu em um dos módulos dos sistemas utilizados para divulgar os resultados na internet, e não afetou a apuração ou a totalização dos votos (saiba mais abaixo). Além disso, a visualização por Estado não foi prejudicada e continuou apresentando os resultados parciais para presidente e vice em cada unidade da federação.
Saiba mais: Por volta das 19h14, o programa de divulgação do resultado nacional para presidente e vice pausou inesperadamente devido ao aumento no volume de dados. Segundo o TSE, uma contenção paralisou o módulo responsável por gerar os arquivos de divulgação desses cargos na visualização "Brasil". A interrupção ocorreu quando 64,81% dos dados da votação para presidente já haviam sido divulgados. A divulgação foi normalizada às 20h04.
Postagens que levantam suspeitas de que a interrupção teria alterado a apuração dos votos e favorecido Lula desconsideram que a contagem é realizada pela própria urna eletrônica em cada seção eleitoral, depois da impressão do Boletim de Urna (BU) ao término da votação. O documento informa os votos registrados naquela seção e os dados são transmitidos à Justiça Eleitoral para a totalização.
O tribunal desmentiu as alegações de que a interrupção na divulgação dos resultados teria fraudado o resultado do primeiro turno das eleições para presidente, e que urnas eletrônicas dos modelos UE2013 e UE2015 teriam apresentado erros e travado a contagem dos votos.
Para explicar o ocorrido, o TSE destacou a diferença entre três etapas do processo eleitoral:
Apuração: feita pela própria urna eletrônica ao final da votação; Totalização: que consiste na soma dos resultados apurados em cada seção eleitoral; Divulgação dos resultados na internet: uma etapa posterior, destinada a tornar os resultados disponíveis ao público.
"A paralisação, portanto, ocorreu em uma etapa de divulgação dos resultados na internet e não interrompeu a apuração dos votos pelas urnas eletrônicas nem o cálculo das totalizações", informou a Corte. A intercorrência está sendo investigada pela equipe técnica da Secretaria de Tecnologia da Informação do Tribunal Superior Eleitoral (STI/TSE).
De acordo com o tribunal, mesmo com a interrupção, os boletins de urna continuaram sendo transmitidos, recebidos, processados e publicados na internet, enquanto os sistemas gerenciais e de acompanhamento também seguiram funcionando.
O cálculo de totalizações também continuou normalmente, com exceção de um momento em que o processo foi suspenso para a verificação individual dos sistemas, conforme previsto no protocolo de segurança.
O TSE destacou ainda que, ao fim da votação, cinco vias do boletim de urna são impressas, sendo que uma delas é afixada na entrada da seção. O documento é assinado pelos fiscais dos partidos presentes, que também podem levar uma via. Qualquer cidadão ou entidade fiscalizadora pode comparar esses dados com o resultado da seção divulgado pelo tribunal na internet, por meio dos aplicativos Boletim na Mão e e-Título, que leem o QR Code do BU impresso.
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