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Eleições no Terra: confira como foi a apuração do 1º turno

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Ex-ministros de Lula são derrotados em disputas para governo e Senado

Só dois conseguiram se eleger senadores: Rui Costa (PT), na Bahia, e André Fufuca (PP), no Maranhão; Carlos Fávaro, que comandou Agricultura, e Gleisi Hoffmann, ex-SRI, perderam disputas no Mato Grosso e no Paraná

5 out 2026 - 10h47
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Resumo
As eleições resultaram em um cenário desastroso para os ex-ministros do governo Lula nas disputas majoritárias. Nomes de peso como Fernando Haddad, Simone Tebet, Marina Silva e Renan Filho foram derrotados nos pleitos para governos estaduais e Senado, onde apenas Rui Costa e André Fufuca venceram. Em contraste com o revés nos cargos executivos e senatoriais, os antigos membros do primeiro escalão obtiveram melhor desempenho nas corridas para a Câmara dos Deputados, elegendo diversos nomes.

BRASÍLIA - Além de amargar um resultado ruim no primeiro turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) viu alguns de seus principais ex-ministros sofrerem derrotas contundentes nas disputas por governos estaduais e pelo Senado nas eleições deste domingo, 4.

Candidato do PT ao governo de São Paulo, ex-ministro Fernando Haddad foi derrotado no primeiro turno
Candidato do PT ao governo de São Paulo, ex-ministro Fernando Haddad foi derrotado no primeiro turno
Foto: Felipe Rau/Estadão / Estadão

Só dois ex-integrantes da gestão petista conquistaram uma vaga majoritária: o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa (PT) se elegeu senador pela Bahia e o ex-ministro do Esporte André Fufuca (PP) ficou com uma das vagas ao Senado no Maranhão.

O cômputo geral foi desastroso para ex-ministros de Lula. Em São Paulo, a chapa formada pelos ex-ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Márcio França (Empreendedorismo) teve cerca de seis milhões de votos a menos que a do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e de seu vice, Felício Ramuth (MDB).

Na corrida pelo Senado, as ex-ministras Simone Tebet (Planejamento) e Marina Silva (Meio Ambiente) viram as duas vagas terminarem nas mãos de Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), apoiados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) - ele próprio terminou o primeiro turno com mais de 2,5 milhões de votos à frente de Lula.

Em outra eleição acirrada, o ex-ministro dos Transportes Renan Filho (MDB), que esteve à frente durante boa parte da apuração, perdeu o governo de Alagoas para o ex-prefeito de Maceió João Henrique Caldas, o JHC (PSDB). O dia foi de derrota dupla para a família Calheiros: além de Renan Filho, o senador Renan Calheiros ficou de fora do Senado pela primeira vez em 31 anos.

Uma das principais aliadas de Lula, a ex-ministra da Secretaria de Relações Institucionais Gleisi Hoffmann ficou em quarto lugar na eleição ao Senado, com 13,3% dos votos. Foi a mesma colocação em que terminou o ex-ministro da Agricultura Carlos Fávaro (PSD), que recebeu 11,5% e não conseguiu se reeleger ao Senado pelo Mato Grosso.

Já na disputa pela Câmara dos Deputados, o cenário foi melhor para ex-integrantes do governo. A ex-ministra da Igualdade Racial Anielle Franco (PT) foi a nona mais votada no Rio de Janeiro, com cerca de 150 mil votos.

Em São Paulo, Paulo Teixeira, ex-ministro do Desenvolvimento Agrário, ficou com 106 mil votos, enquanto a ex-ministra dos Povos Indígenas Sonia Guajajara (PSOL) recebeu 54 mil votos.

O ex-ministro de Portos e Aeroportos Silvio Costa Filho (Republicanos) se elegeu deputado federal por Pernambuco, depois de registrar cerca de 169 mil votos. Já o ex-ministro das Cidades Jader Filho (MDB) foi o segundo mais votado no Pará, com 325 mil votos.

Outra que conseguiu se eleger foi a ex-ministra de Direitos Humanos Macaé Evaristo (PT), que conquistou um assento como deputada estadual em Minas Gerais.

Ex-integrantes da Esplanada

O resultado das urnas também foi ruim para ex-ministros do petista que foram demitidos ao longo do terceiro mandato de Lula.

A ex-ministra do Turismo Daniela do Waguinho (Republicanos) teve 53 mil votos na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Rio de Janeiro - até 22h o Tribunal Superior Eleitoral não informou quais candidatos haviam sido eleitos. Ela foi substituída por Celso Sabino (PDT) após pressão do Centrão por mais espaço na atual gestão em troca de apoio a projetos no Congresso.

Sabino, por sua vez, terminou a disputa na quinta colocação na corrida pelo Senado, com 5,8% dos votos. Ele foi demitido em dezembro de 2005 depois de ser expulso do União Brasil por desobedecer à ordem para entregar o cargo. O partido continuou comandando o ministério - Gustavo Feliciano assumiu a vaga.

Paulo Pimenta (PT), ex-secretário de Comunicação, ficou em quarto lugar na eleição a uma vaga no Senado pelo Rio Grande do Sul. Ele foi substituído no cargo pelo publicitário Sidônio Palmeira, que comandou a campanha de Lula em 2022 e assumiu com o objetivo de reformular a comunicação do governo.

Os candidatos à Câmara dos Deputados tiveram um desempenho melhor. Márcio Macêdo, ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência, recebeu 59 mil votos como deputado federal em Sergipe. Macêdo foi "fritado" durante meses pelos próprios correligionários e substituído por Guilherme Boulos (PSOL), que passou a cuidar da interlocução do Palácio do Planalto com os movimentos sociais.

A ex-ministra Nísia Trindade (PT) teve 67 mil votos para deputada federal pelo Rio de Janeiro. Depois de semanas sendo "fritada" no cargo, ela foi demitida em fevereiro de 2025. Lula escolheu para seu lugar o então ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha (PT).

Ex-ministro das Comunicações, Juscelino Filho teve 124 mil votos como deputado federal e foi o décimo mais votado no Maranhão. Ele entregou sua carta de demissão em abril de 2025 após ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República ao Supremo Tribunal Federal (STF), sob acusação de desvio de emendas parlamentares. O caso foi revelado pelo Estadão em 2023. Frederico de Siqueira Filho assumiu a pasta após o deputado Pedro Lucas Fernandes (União-MA) ter rejeitado o convite.

Estadão
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