Ex-ditador da Síria que recebeu condecoração de Lula não é quem aparece em vídeo de julgamento
BASHAR AL-ASSAD, HOMENAGEADO NO BRASIL EM 2010, FOI SENTENCIADO À MORTE, MAS GRAVAÇÃO MOSTRA CONDENAÇÃO DE UM PRIMO DELE
É enganoso o vídeo que alega mostrar a condenação à morte de Bashar al-Assad, ex-ditador sírio condecorado por Lula em 2010. A gravação retrata, na verdade, o julgamento de seu primo, Atif Najib, ex-chefe de segurança condenado por crimes de guerra. Embora Bashar e outros três parentes também tenham recebido a pena capital por violações de direitos humanos na Síria, o ex-ditador não aparece nas imagens, pois fugiu do país com seu irmão e permanece asilado na Rússia.
O que estão compartilhando: vídeo que mostraria a condenação à morte do ex-ditador da Síria Bashar al-Assad, condecorado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2010. A postagem mostra uma foto dos dois apertando as mãos.
O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. A gravação não mostra Bashar al-Assad, mas sim um dos primos dele, Atif Najib, ex-chefe de Segurança Política em Daraa. Najib foi sentenciado à pena de morte por "crimes de guerra e contra a humanidade". Ainda cabe recurso perante a Corte de Cassação, instância máxima do Poder Judiciário na Síria.
O ex-ditador Bashar al-Assad, condecorado durante o segundo mandato de Lula, também foi condenado à pena capital pela Justiça, mas não é a pessoa que aparece no vídeo analisado.
Saiba mais: A postagem enganosa associa imagens de um julgamento ao ex-ditador sírio Bashar al-Assad, condecorado pelo governo brasileiro com a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul em 2010.
Com o mecanismo de busca reversa de imagens do Google, o Verifica identificou publicação do veículo Voice of Beirut International (SBI) que divulgou o vídeo, no dia 11 de agosto de 2026, com a legenda "novas cenas de Atif Najib antes da sua sentença de morte".
Justiça da Síria já condenou quatro membros da família do ex-ditador à morte
A decisão da Justiça síria contra Atif Najib fez dele o terceiro membro da família Assad a ser sentenciado à morte no país. O ex-chefe de Segurança Política foi condenado à pena de morte pelo envolvimento em crimes de guerra e contra a humanidade.
Antes de Najib, o próprio ex-ditador Bashar al-Assad e o irmão caçula dele, Maher al-Assad, já haviam recebido a mesma punição. As condenações integram uma resposta institucional às graves violações de direitos humanos cometidas ao longo das décadas em que a família esteve no poder — período de repressão que desencadeou a longa guerra civil no país a partir de 2011.
Recentemente, Wassim al-Assad foi outro condenado à morte, a quarta pessoa da família a receber a sentença. Apesar das sentenças proferidas pelo Tribunal Criminal de Damasco, a execução da pena para os principais líderes do antigo governo esbarra em obstáculos diplomáticos. Bashar e Maher fugiram da Síria antes da derrocada final do regime, em dezembro de 2024, e estão asilados na Rússia.
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