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Política

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Ex-comandante da FAB chama de 'leviandade' fala de Flávio Bolsonaro sobre suposto apoio a Lula

Senador fez declaração durante sabatina da Globo na última sexta-feira, 28; Baptista Junior foi um dos comandantes ouvidos pelo STF sobre pressões para que as Forças Armadas aderissem a uma ruptura institucional após eleição de Lula

29 ago 2026 - 19h18
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Resumo
O ex-comandante da FAB, Baptista Junior, classificou como "leviandade" a fala do senador Flávio Bolsonaro, que o acusou de fazer campanha para Lula para desviar de perguntas sobre a tentativa de golpe em 2022. Baptista, que resistiu às pressões antidemocráticas no fim da gestão de Jair Bolsonaro e prestou depoimento crucial ao STF sobre a trama golpista, rebateu a declaração e sugeriu que o parlamentar leia seu livro sobre os bastidores da crise institucional antes de dar novas entrevistas.

O tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior, ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), reagiu neste sábado, 29, à declaração do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, de que ele estaria pedindo votos para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em publicação no X (antigo Twitter), Baptista chamou a afirmação de "leviandade" e disse que o comentário foi uma forma de o candidato fugir de uma pergunta feita durante a sabatina da Globo, na sexta-feira, 28.

Flávio havia sido questionado sobre os depoimentos de ex-comandantes das Forças Armadas a respeito da tentativa de ruptura institucional no fim do governo Jair Bolsonaro. Entre eles está Baptista Junior, que comandava a Aeronáutica na época e relatou ao Supremo Tribunal Federal (STF) ter resistido às pressões para que os militares aderissem ao plano.

O tenente-brigadeiro do ar, Carlos de Almeida Baptista Junior, durante audiência pública na Câmara, sobre o caso do militar preso com cocaína na Espanha em aeronave da Força Aérea Brasileira.
O tenente-brigadeiro do ar, Carlos de Almeida Baptista Junior, durante audiência pública na Câmara, sobre o caso do militar preso com cocaína na Espanha em aeronave da Força Aérea Brasileira.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil / Estadão

Ao ser questionado sobre os relatos, Flávio afirmou que Baptista estaria fazendo campanha para Lula. O ex-comandante negou a afirmação e disse que ela foi usada para desviar o foco da questão colocada ao candidato.

"A leviandade de dizer que faço campanha para a reeleição do presidente Lula, apresentada para não abordar a verdadeira pergunta colocada no debate de ontem, na Globo, é antes de tudo uma ferramenta para fugir da responsabilidade de respondê-la — algo entendido na figura de filho, mas não de alguém que se proponha a nos presidir", escreveu Baptista.

O ex-comandante também sugeriu que Flávio aguardasse o lançamento de seu livro "Eu Disse Não! Uma trincheira antigolpista", antes de fazer novas afirmações sobre sua atuação naquele período. A obra, publicada pela Autêntica Editora, narra os bastidores da crise institucional no fim do governo Bolsonaro e as pressões enfrentadas pelos militares diante da tentativa de ruptura.

"Talvez seja prudente aguardar, ler o livro e refletir, antes de outra entrevista", escreveu.

Baptista ainda dirigiu uma provocação ao coordenador-geral da campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL-RN). "Sugiro não incorporar o espírito do nosso querido Zagallo, exigindo agressivamente que 'a tal direita consentida vai ter que nos engolir'", concluiu.

O que Baptista relatou ao STF

Baptista Junior comandava a Aeronáutica no fim do governo Bolsonaro e foi um dos militares que resistiram às pressões para que as Forças Armadas aderissem a uma ruptura institucional após a derrota do então presidente nas eleições de 2022.

Em depoimento ao STF, o ex-comandante descreveu reuniões realizadas nos últimos meses do governo nas quais, segundo seu relato, foram discutidas medidas de exceção e uma minuta com propostas para impedir a posse de Lula.

Baptista afirmou que se recusou a receber uma cópia do documento. Também relatou que o general Marco Antônio Freire Gomes, então comandante do Exército, advertiu Bolsonaro de que poderia ser preso caso insistisse em uma tentativa de golpe.

O militar afirmou ainda que o então comandante da Marinha, almirante Almir Garnier, colocou tropas da Força à disposição do plano.

Os relatos dos militares foram incluídos na Ação Penal 2668, no STF, que julgou integrantes do núcleo central da tentativa de golpe. Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão. O julgamento foi concluído em setembro de 2025.

Livro reúne bastidores da crise

No livro "Eu Disse Não! Uma trincheira antigolpista", Baptista narra em primeira pessoa sua experiência durante aquele período e as pressões para que integrantes das Forças Armadas aderissem a uma ruptura institucional.

A obra descreve três momentos em que, segundo o ex-comandante, a tentativa de golpe acabou frustrada e detalha encontros no Palácio da Alvorada e no Ministério da Defesa em que foram discutidas medidas de exceção e os termos da minuta golpista.

O livro, publicado pela Autêntica Editora, chega às livrarias em setembro. É apresentado como o primeiro relato em primeira pessoa de um integrante da alta cúpula militar daquele período sobre os bastidores da crise.

Baptista ingressou na FAB em 1975 e acumulou mais de 4,5 mil horas de voo como piloto de caça. Chegou ao comando da Aeronáutica em abril de 2021 e permaneceu no cargo até janeiro de 2023.

Estadão
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